Dozens of Indigenous herders file lawsuit against carbon project in Kenya
-
Indigenous communities from Biliqo Bulesa in Kenya have filed a lawsuit
against a carbon credit project
Há 1 dia
Vivo apaixonado, desde os 9 anos pelo Kwanza Sul - Amboim - Angola (Cidade da Gabela)
Ai minha terra das memórias do caju apanhado ate onde chegava a mão das frondosas arvores no campo, das mangas mal maduras colhidas à pedrada no regresso a casa depois das aulas, do amanhecer na savana com o sol a romper o matinal cacimbo, da terra vermelha da barreira, local das minhas coboiadas com os miúdos da minha idade, do sal mal tirado da pele no duche apressado entre a manhã de praia e a sessão dupla do Scala, das folhas envernizadas dos palmares reflectindo os raios dourados da tarde, das ondas pintadas laranja ao entardecer e das nuvens jorrando vermelhos e dourados prenúncio da sinfonia de sons da noite abafada que se avizinha. 
Eu queria escrever-te uma carta amor,
Aquela selva, de árvores de grande porte com suas enormes copas, por baixo de si tinha muitas plantas de cafeeiros. Havia um pássaro, chamado de Andwa, que nidificava dentro dos cafeeiros. Seus belos ninhos com seus filhotes eram de beleza rara. Esta ave temia pouco o homem, por isso fazia seus ninhos nestas plantas que eram rasteiras, com cerca de 2 a 3 metros de altura. Acontecia muita vez o homem estar a mexer nos filhotes e os pais a uma distancia de um metro de nós, ou mesmo dentro do ninho. Se lhes roubássemos os filhotes ainda de tenra idade era fácil alimenta-los com banana, pois seus pais os alimentavam de frutos, principalmente de banana, mamão, goiaba ou papaia. Eu tinha uma grande gaiola onde coloquei cerca de uma dúzia desses belos pássaros e já faziam por lá suas crias. Eram lindas as Andwas e os seus belos cantares enchiam-me a alma!
Há quanta tristeza reside em meu coração! Os angolanos não requereram, o que lhes era de direito, para viverem assim! Não, Angola é um país que tem por dom de natureza, boa gente. Gente que ama, gente que sofre se te ver sofrer, gente que sorri mesmo quando sentem falta de comer! Os angolanos não mereciam viver sob alçada de um governo tirano, ditador e corrupto! Vejam este vídeo que entristece a minha alma!
Quando li esta carta não consegui conter as lágrimas, pois como esta criança, nesta terra tão amada por quem aprendeu a ama-la, muitas passaram pela mesma situação. Foi triste, muito triste. Meus queridos seguidores, cliquem no Link e leiam a carta desta criança! 


Recordo, daquelas vezes em que os meus amigos levavam-me com eles para apanharem codornizes lá na anhára (savana). O Paulino agarrava em mim às cavalitas (sobre o seu dorso = costas), os outros todos caminhavam connosco para o local onde havia, por entre o capim (um trigo selvagem), vários caminhos por onde as pessoas passavam quando se dirigiam de uma aldeia para a outra, ou quando iam para os seus afazeres lá nas suas lavras junto ao rio. Naqueles caminhos estreitos colocavam-se várias ratoeiras feitas por uma lançada de um fio e uma vara que ficava vergada fazendo pressão, de forma que, quando a codorniz passasse dentro da lançada destrancava o laço e a vara, exercendo pressão, prendia a codorniz. Nós estávamos escondidos a uma distância dessas armadilhas cerca de uns 15 metros e víamos as codornizes a aparecerem aos bandos. Entre 5 a 8 minutos ouvíamos uma das armadilhas a disparar e a codorniz a saltar aflita. O pior era a minha irmã Filomena, ela nunca deveria ir connosco, pois sempre que disparava uma armadilha, ela gritava dizendo: -Já apanhamos uma!
Este é o blog do Nelo de carvalho, um Angolano na diaspora. Uma pessoa que está atento à corrupção que se pratica no seu país. No país que lutou contra a exploração colonial e que acabou por caír nas mãos de um ditador e corruptos José Eduardo dos Santos, seus capangas e familia. Triste, muito triste!



A Primavera em Angola inicia-se quando se inicia o Outono em Portugal! Era ver, nos morros (montanhas) do Amboim – Kwanza-Sul, o lindo cafezal se vestia de branco! Hum… que gostoso cheiro entravam pelas minhas narinas vindas da bela flor, parecendo neve que havia caído sobre aquelas plantas de café. Eram tantas flores que tapavam as folhas dessa preciosa planta “cafeeiro”. Passado 15 dias, a flor desaparecia para dar lugar a um pequenino grão que iria crescendo até se tornar adulto, sempre esverdeado. Já nos finais de Junho ele se tornava maduro e de cor vermelha, parecendo-se com uma cereja. Lá na “Roça”, logo pela manhã, o cheiro do café que o cozinheiro fazia num grande panelaço, para os trabalhadores tomarem antes de pegarem no trabalho. Saltava da cama e corria para lá, junto do cozinheiro e dos trabalhadores, para beber daquele delicioso café. Ele era puro, pois era cultivado lá na roça, secado no “terreiro” (género de uma eira mas de terra batida), debulhado por uma grande máquina que tinha umas grandes correias que ligavam umas polis às outras e que, através de um tractor agrário, se punha a marchar essa gigantesca máquina depiladora. Depois, pegava-se o grão, já descascado, colocava-se no forno, que tínhamos para coser pão, até ficar torrado. Em seguida seria feito em pó esmagando-o, com dois ou um pau, dentro de um “pilão (almofariz feito de um tronco de arvore). Hum!!! Nem posso recordar daquele cheiro e paladar gostoso do café natural criado lá na “tonga” (zona de cultivo nas montanhas).


Sinto o cheiro, o som e aquela imagem do lindo bananal à beira de um ribeiro, onde havia uma pequena cascata. Onde a cascata caia, formava um pequeno lago antes de continuar o seu leito para entrar no rio Nhia.
Era uma vez, um homenzinho dos seus 50 anos que trabalhava na EIP (Electricidade Industrial Portuguesa) em Portugal. Foi destacado pela empresa para ir trabalhar para Angola, no inicio da década dos anos 70, na construção de uma linha de corrente eléctrica de alta tenção, que iria ligar à barragem de Cambambe, no rio Cuanza, à cidade da Gabela. Essa linha passava mesmo por cima da nossa Chitaca (roça). Ele, o Sr. António, foi fazer parte de uma equipe que já lá andava nesses trabalhos. Mas ele era o mais velho e o mais novo naquela equipe. Todos almoçavam, jantavam e dormiam em nossa casa dentro de um armazém que tínhamos para resguardar o café ou o milho. Pois como a cidade ficava a 50 quilómetros de distância, não compensava ir e regressar aquele lugar de trabalho. Eram cerca de 25 trabalhadores, todos eles com experiencia de trabalharem entre selvas e savanas, só o Sr. António era um noviço mas com muita curiosidade para saber das coisas “misteriosas” que ouvira falar de Angola ainda em Portugal.
Queria saber o que era uma pacaça! Então um certo dia, lá na savana, enquanto trabalhavam, os seus colegas o chamaram para se aproximar, mas em silêncio, para traz de uma árvore a fim de a ver. Foram dizendo para se colocar mais à esquerda, ou mais à direita para que a pudesse ver a pastar. O sr. António lá se foi colocando, ao jeito que o mandavam, mas teve de sair correndo, gritando alucinadamente, com as picadelas que sentia pelas pernas a cima.
Pois não havia, ali, aquele animal que pretendia ver. Havia, era um grande carreiro com milhões de formigas carnívoras, para onde foi conduzido pelos colegas a fim de sentir o que era a mordidela dessas formigas. Enquanto ele gritava os colegas maldosos desatavam a rir.
Fizeram-lhes mil e uma judiarias. Outra vez eles passaram por perto de um bananal e o Sr. António ao ver aqueles lindos cachos, alguns já maduros, contemplou-os. Os colegas deram-lhe uma catana e disseram-lhe para ele cortar um. Ao verem que ele já tinha subido a bananeira e se preparava para cortar o cacho, numa destreza aproximaram-se da bananeira e deram-lhe um golpe, fazendo com que a bananeira tomba-se com o Sr. António. Pois nuca se sobe a uma bananeira para lhe extrair o cacho. Ela só dá um, por isso tem de ser cortada rente ao chão a fim de que voltem a surgirem rebentos que serão as novas bananeiras.
Também o Sr. António não gostava nada de jindungo (piripiri). Então, as minhas irmãs que preparavam as mesas onde eles tomavam as refeições, no prato, no guardanapo e na borda do copo do Sr. António esfregavam-lhe jindungo. Por um pequeno orifício enfiavam, no pão e na maior banana, um bago de jindungo. Até nos talheres lhe esfregaram jindungo.
Já à noite, quando se deitaram nas camas, viram o senhor António a sair da sua a gritar, pois os seus colegas espalharam nos lençóis um pó que se retirava da vagem de uma árvore e que causava uma comichão tremenda! Mais uma vez o amigo António era vítima das judiarias de seus colegas. Tudo isto em nome da “amizade”.





Estas construções tem a ver com as construções portuguesas e europeias que é pobre e que destroi o habitat de qualquer parte do planeta.

Estas são as construções reaias e naturais de Angola e dos Angolanos que tem a ver com uma cultura muito rica e de um habitat riquissimo.


Do Jornal de Angola
Ao ver estas duas fotos, de 2009, o meu coração bateu! A primeira, da ponte, esta era uma ponte em madeira até final de 1975 e situava-se mesmo no final da fazenda de meu pai. Aqueles morros (montanhas) via-as todos os dias de nossa casa. A outra foto, das bombas de combustíveis no Moquitiche, trouxe-me recordações tristes. Eu e meus pais vivia-mos na Cananguena – Lundo, como já falei, pertinho daquela ponte e mesmo á beira do rio Nhia do lado contrário da CAOP. Quando as gentes da Gabela fugiram á guerra, nessa noite em que se preparavam para a fuga, pois o ambiente na cidade era de tiroteio do MPLA com a UNITA, um rapaz que vivia na Gabela trabalhando na loja do Senhor Loureiro, o fornecedor de tabaco aos bares pela manhã, o Jorge Loureiro Morais, partiu nessa noite e fez 50 quilómetros a fim de nos resgatar. A nossa fuga foi para a CAOP e no dia seguinte fomos por Dala Caxibo direitos a Moquitiche onde chegamos já às 21h. Ali jantamos do pouco que havia no restaurante dessas Bombas de combustíveis. Depois de jantar pensamos em dormir ali dentro dos carros. Qual não foi o nosso espanto, quando já dormindo, apareceu um geep "Land Rover" com cerca de 20 homens bem armados. Saltaram do Geep e dirigiram-se a nós de armas apontadas. Logo reparei que eles tinham o crachá da UNITA e disse-lhes: "Boa noite irmãos". Eles perguntaram-me se éramos mesmo “irmãos” ou “camaradas”, (pois “camaradas" era sinónimo de comunismo, e isso era a forma de tratamento por parte do MPLA que lutava para implantar o comunismo em Angola), eu disse-lhes que éramos "irmãos" e dizendo isto tirei de debaixo do tapete do carro o meu cartão de militante da UNITA. Aí o comandante deles disse: Hei irmãos, estes são nossos, eles têm cartão de militância. Depois de alguma conversa aconselharam-nos a não pernoitar ali pois na tarde desse dia tinha havido nos arredores confrontos entre a UNITA e o MPLA, como tal era provável que houvesse feridos ou fugitivos dentro do capim. Voltamos a traz e fomos dormir numa fazenda. De manhã ao nascer o sol partimos e voltamos a passar em frente a estas bombas de combustível da SHEL e seguimos para a Quibala onde ficamos á espera da coluna com cerca de 500 automóveis que vinha da Gabela. Só ali chegara por volta das 16h devido a terem encontrado barreiras feitas pelos apoiantes do MPLA. Nota: Nessa coluna não vinham só os brancos, também vinham os negros que eram afectos ao branco e militantes da UNITA. Da Quibala seguimos todos para Nova Lisboa (Huambo).
Angola from Nacho Salgado on Vimeo.
