Estes são os Blogues dos que amam Angola

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sábado, 31 de março de 2012

Omeu terceiro dia em Angola

O meu terceiro dia em Angola foi lindo, sim muito lindo! Com 9 anos apenas já sentia o desejo de ser um Tarzâm! Viver na selva e ser um selvagem. Quando o guarda da floresta me convidou a ir com ele pela selva dentro, eu não imaginava quanta beleza iria encontrar! Por caminhos estreitos na floresta densa, ele levava-me sentado sobre os seus ombros (às cavalitas) enquanto eu olhava para tudo que nos rodeava. Os grandes arbustos com grandes lianas que desciam da copa até ao chão e os macacos saltavam e gritavam. Vários cantares de varias espécies de aves se faziam ouvir. Fomos seguindo até que lá já bem ao fundo da montanha encontramos uma grande e bela cachoeira, a cachoeira do Binga. Desde o primeiro olhar eu me impressionei, numa beleza rara tão natural, bateu acelerado o meu coração, uma energia forte tocou em mim. Eu não sei descrever tanta emoção, eu nunca tinha visto um lugar assim. Senti, então, nesse momento que ali era o paraíso! Senti a vontade de ali viver para sempre mas como um selvagem, como um macaco, no mundo da liberdade. Aquele lugar não esquecerei jamais, ficou para sempre gravado em mim!

sábado, 17 de março de 2012

Conversa no dia 06-02-2012 com um amigo de Angola


José Sousa diz: Boa noite meu bom amigo!

Adriano Dacosta Baptista Diz: Good.

José Sousa diz: Good my friend's.

Adriano Dacosta baptista Diz: Zâmbia ganha o Campeonato Africano… Mereceram.

José Sousa diz: Sim... se jogaram e o fizeram  para o merecer... foi bom!
Só espero que o futebol não volte a fazer o que fizeram no Egipto!

Adriano da Costa Baptista Diz: Ya, Foi mesmo uma tragédia...como estais? Como vai a vida?

José Sousa diz: A vida vai indo aos empurrões. Adoentado por causa deste frio e passei o dia todo de sexta-feira, no hospital! E tu mano... como vais?

Adriano da Costa Baptista diz: Good… também nós corre e corre da vida, sabes nenhum… Mas o mais importante é a Saúde. De resto é devagar.

José Sousa diz: Sim... isso é verdade. Mas aqui tenho pouca saúde... não é como era aí!

Adriano da Costa Baptista diz: Porquê? Será que é a idade?

José Sousa diz: Também é, mas o clima aqui e muito seco, tem pouca humidade. Não é como no Amboim, onde havia muito cacimbo e calor. Aí, nunca fiquei doente. Preciso respirar humidade e se for produzida pelas árvores, melhor!

Adriano da Costa Baptista diz: Ya… Faz recordar os velhos tempos.

José Sousa diz: Sabes irmão… muita criança, filhos de brancos, viveram sempre por perto de amigos também brancos. Mas tenho a certeza que nenhum deles foi tão feliz como eu que fui criado lá no mato junto de amigos da minha idade, mas de raça preta. Ainda hoje sofro pelo belo tempo que passei com eles. E comia com esses amigos lá na sanzala, o pirão com peixe seco e rama de batata-doce e óleo de palma! Hummm... que gostoso! As saudades desse tempo são imensas!

Adriano da Costa baptista diz: Olha dá mesmo pra perceber q vc era mesmo de cá. Enfim a vida tem dessas! Então não tem mais perspectiva de vir cá viveres?

José Sousadiz: Eu fui criado aí até meus 22 anos, por isso sinto que a minha mãe é Angola! Sinto que minhas raízes estão aí! Primeiro, os Angolanos. Segundo, os Angolanos. Terceiro, os Angolanos e quarto... podem serem todos os que vão para aí mas que lutem com muito amor pela Angola e pelos angolanos!

Adriano da Costa baptista diz: Esse foi um grande homem… Pá essas são mesmo as malambas da vida...

José Sousa diz: Podes dizer mesmo de coração digo-te irmão... sempre pensei que ele iria conseguir os objectivos que desejava  para o povo Angolano. Mas o dia que o mataram chorei como uma criança! Era o meu líder!

Adriano da Costa Baptista diz: Pá só agora o Povo reconheceu ele e porque ele lutava… mas a verdade está a surguir aos poucos… Olha a minha esperança está no Povo

José Sousa diz: É isso mesmo meu irmão… o povo é a maior arma para fazer mudar um país. Não preciso armamento bélico, não! Eu tenho um livro que o Savimbi me ofereceu onde tem todas as leis que ele queria para o país, esse livro vale ouro!

Adriano da Costa Baptista diz: Diz-me lá qual é o título.

José Sousa diz: É um pequeno livro onde está tudo escrito e que na altura era oferecido a todos! Para saberem qual o seu propósito para a nação. O título é "Pátria, Liberdade e Unidade"

Adriano da Costa Baptista diz: Estou A VER… olha são mesmo livros raros… Cá piore então... talvez um dia procurarei

José Sousa diz: Tenho uma página no meu blog onde escrevi tudo o que ele descreveu nesse livro.
Quando eu tirar o Link mando-te!

Adriano da Costa Baptista diz: Ya...Olha eis dos poucos dos Tugas que sabem da História de Angola… Eu penso que a maioria quando vem cá é só com um objectivo do dinheiro...Eu penso q Portugal tem haver também muito com a guerra civil angolana

José Sousa diz: Mas isso é uma verdade. O principal culpado dessa guerra civil, foi Portugal! Isso é uma verdade que vai ficar na minha história. Culpados da guerra civil em Angola, foi Portugal.
Mando-te aqui um link onde está o blog que criei sobre os conhecimentos da UNITA. Abres e vais lendo o que escrevi. Também tem alguns vídeos, mas mais para trás está os conhecimentos que tenho sobre Angola e a UNITA.


Adriano da costa baptista diz: Olha graça aos livros da Dr.Dalila Nateus mandou-me completamente.

José Sousa diz: Ainda bem! Isso é sinal de que és um homem com ética!

Adriano da Costa Baptista. diz: Ya… Olha eu não gosto de me limitar... porque também fiz História no ensino médio...Olha a História que nos deram era uma história deturpada.

José Sousa diz: Hummm... isso acredito eu!

Adriano da Costa Baptista. diz: Ya… Olha você conheces o Jardo Muekília? Ele escreveu Angola 2ºrevolucão.

José Sousa diz: Olha... no tempo colonial, também não gostavam muito que estudassem para ficarem sempre sem conhecimento como é que angola tinha sido evadida por portugueses. Agora o ZéDu, também não interessa-lhe que o povo obtenha conhecimento e tenha formação, pois só assim é que consegue oprimir o povo.

Adriano da costa Baptista diz: Ya… É uma pura verdade.

José Sousa diz: O Agostinho Neto, chipenda, Savimbi, Olden Roberto, eram estudados e por isso tiveram conhecimento e partiram para dar início a acabarem com o colonialismo. Hoje é a mesma coisa. Só quando vocês acordarem é que ele saí!

Adriano da Costa Baptista diz: Olha o teu blog é mesmo interessante e bom… É como falo, a mentira só permanece porque a verdade ainda não chegou… olha te garanto o povo tá se despertando cada vez mais. Esse regime tem dias contados.

José Sousa diz: Sempre peço a Deus que um dia isso aconteça aí! Pois, com o amor que tenho por esse país, só queria ver o povo Angolano a terem aquilo que os seus pais lutaram e morreram mas nada valeu! Os pais, os filhos, tios, todos da família morreram por uma justa causa. Era para libertar o povo e terem direitos sociais por igual. Mas, não! Agora está pior com esses Chineses, Brasileiros e até portugueses que vão para aí só para extorquirem fortunas. E os que perderam famílias na guerra, não tem direito a nada!

Adriano da Costa Baptista diz: Olha se preocupa: Tudo que tem princípio tem fim… O Fim tá vindo e nós vamos-lhe pedir com júris.

José Sousa diz: É isso mesmo meu irmão. Agora vou indo. Fica na paz do senhor.

Adriano da Costa Baptista diz: Sem makas.

José Sousa diz: Um grande abraço.

Adriano da Costa Baptista diz: também Você.

José Sousa diz: sem makas.
Adriano da Costa Baptista. diz: Valeu… força ai.

José Sousa diz: FORÇA TAMBÉM… um abraço.
Adriano da Costa Baptista. diz: Valeu mano.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

JOSÉ EDURADO DOS SANTOS E FILHA, ROUBAM O POVO ANGOLANO...

Uma instancia turistica, na barragem da Aguieira, Portugal, da filha de José dos Santos


Bloqueados 100 milhões de USA dólares ao Presidente Angolano
A bomba esta ai. O que fazer?
Reflicta e repasse a mensagem... 
Tinha que repassar aos meus amigos!
Momento de reflexão,.. o poder do dinheiro também cai,..
"Suíça ameaça cleptocracia mundial"

Bloqueados 100 milhões de dólares do Presidente Angolano
"Há dez anos que os tribunais suíços iniciaram um longo processo para bloquear os fundos depositados nos seus bancos por ditadores e políticos corruptos de todo o mundo, cujas fortunas, por vezes colossais, foram obtidas através da espoliação de bens públicos pertencentes aos povos que governam, usando para tal os mais diversos expedientes de branqueamento de capitais.
O processo começou em 1986 com a devolução às Filipinas de 683 milhões de dólares roubados por Ferdinando Marcos, bem como a retenção dos restantes 356 milhões que constavam das suas contas bancárias naquele país. Prosseguiu depois com o bloqueamento das contas de Mobutu e Benazir Bhutto. Mais tarde, em 1995, viria a devolução de 1236 milhões de euros aos herdeiros das vítimas judias do nazismo.
Com a melhoria dos instrumentos legais de luta contra o branqueamento de capitais, conseguida em 2003 (também em nome da luta contra o terrorismo), os processos têm vindo a acelerar-se, com resultados evidentes: 700 milhões de dólares roubados pelo ex-ditador Sani Abacha são entregues à Nigéria em 2005; dos 107 milhões de dólares depositados em contas suíças pelo chefe da polícia secreta de Fujimori, Vladimiro Montesinos, 77 milhões já regressaram ao Peru e 30 milhões estão bloqueados; os 7,7 milhões de dólares que Mobutu depositara em bancos suíços estão a caminho do Zaire; mais recentemente, foram bloqueadas as contas do presidente angolano José Eduardo dos Santos, no montante de 100 milhões de dólares.
É caso para dizer que os cleptocratas deste mundo vão começar a ter que pensar duas vezes antes de espoliarem os respectivos povos. É certo que há mais paraísos fiscais no planeta, mas também é provável que o exemplo suíço contagie pelo menos a totalidade dos off-shores sediados em território da União Europeia, diminuindo assim drasticamente o espaço de manobra destas pandilhas de malfeitores governamentais.
No caso que suscitou este texto, o bloqueamento de 100 milhões de dólares depositados em contas de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola há 27 anos, pergunta-se: que fez ele para se tornar o 10º homem mais rico do planeta (segundo a revista Forbes)? Trabalhou em quê para reunir uma fortuna calculada em 19,6 mil milhões de dólares?
Usou-se o poder para espoliar as riquezas do povo que governa, deixando-o a viver com menos de dois dólares diários, que devem fazer os países democráticos perante tamanho crime de lesa humanidade?
Olhar para o outro lado, em nome do apetite energético?
Que autoridade terá, se o fizerem, para condenar as demais ditaduras e estados falhados?
Olhar para o outro lado, neste caso, não significa colaborar objectivamente com a sobreexploração indigna do povo angolano e a manutenção de um status quo antidemocrático e corrupto que apenas serve para submeter a esmagadora maioria dos angolanos a uma espécie de domínio tribal não declarado?

Na Wikipedia lê-se:
"Os habitantes de Angola são, em sua maioria, negros (90%), que vivem ao lado de 10% de brancos e mestiços. A maior parte da população negra é de origem banta, destacando-se os quimbundos, os bakongos e os chokwe-lundas, porém o grupo mais importante é o dos ovimbundos. No Sudoeste existem diversas tribos de box imanes e hotentotes. A densidade demográfica é baixa (8 habitantes por Km quadrado) e o índice de urbanização não vai além de 12%.
Os principais centros urbanos, além da capital, são Huambo (antiga Nova Lisboa), Lobito, Benguela, e Lubango (antiga Sá da Bandeira). Angola possui a maior taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) e de mortalidade infantil do mundo.
Apesar da riqueza do país, a sua população vive em condições de extrema pobreza, com menos de 2 dólares americanos por dia." O recente entusiasmo que acometeu as autoridades governamentais e os poderes fácticos portugueses relativamente ao "milagre angolano" (crescimento na ordem dos 21% ao ano) merece assim maior reflexão e, sobretudo, alguma ética de pensamento.

Os fundos comunitários europeus aproximam-se do fim.
Os portugueses, entretanto, não foram capazes de preparar o país para o futuro difícil que se aproxima. São muito pouco competitivos no contexto europeu. As suas elites políticas, empresariais e científicas são demasiadamente fracas e dependentes do estado clientelar que as alimenta e cuja irracionalidade por sua vez perpetuam irresponsavelmente, para delas se poder esperar qualquer reviravolta estratégica.
Quem sabe fazer alguma coisa e não pertence ao bloco endogâmico do poder vai saindo do país para o resto de uma Europa que se alarga, suprindo necessidades crescentes de profissionais nos países mais desenvolvidos (que por sua vez começam a limitar drasticamente as imigrações ideologicamente problemáticas): Espanha, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega...

No país chamado Portugal vão assim ficando os velhos, os incompetentes e preguiçosos, os indecisos, os mais fracos, os ricos, os funcionários e uma massa amorfa de infelizes agarrados ao futebol e às telenovelas, que mal imaginam a má sorte que os espera à medida que o petróleo for subindo dos 60 para 100 dólares por barril, e destes para os 150, 200 e por aí a fora...
A recente subida em flecha do petróleo e do gás natural (mas também do ouro, dos diamantes e do ferro) trouxe muitíssimo dinheiro à antiga colónia portuguesa.
Seria interessante saber que efeitos esta subida teve na
conta bancária do Sr. José Eduardo dos Santos.
E que efeitos teve, por outro lado, nas estratégias de desenvolvimento do país. O aumento da actividade de construção já se sente no deprimido sector de obras e engenharia português. As empresas, os engenheiros e os arquitectos voam como aves sedentas de Lisboa para Luanda. É natural que o Governo português, desesperado com a dívida... e com a sombra cada vez mais pesada dos espanhóis pairando sobre os seus sectores económicos estratégicos, se agarre a qualquer aparente tábua de salvação.

E os princípios?
E a legalidade?

Se a saída do ditador angolano estiver para breve, ainda se poderá dizer que a estratégia portuguesa é, no fundo, uma estratégia para além de José Eduardo dos Santos. Mas se não for assim, e pelo contrário viermos a descobrir uma teia de relações perigosas ligando a fortuna ilegítima de José Eduardo dos Santos a interesses e instituições sediados em Lisboa (1), onde fica a coerência de Portugal?
E os estancias no campo de turismo de luxo, só para ricos, que a filha de José Eduardo dos Santos é possuidora em Portugal? São milhões que ela roubou ao povo Angolano. Uma riqueza colossal!
Micheline Calmy-Rey, Ministra suíça dos Negócios Estrangeiros, veio lembrar a todos os europeus que tanto é ladrão o que rouba como o que fica à espreita ou cobra comissões das operações criminosas."
Vejam este sait e apreciem só esta aldeia privada com um hotel para capitalistas, com uma plataforma para barcos de recreio, na barragem da Aguieira - Portugal.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ANGOLA A SER GOVERNADA POR ESTRANJEIROS


Meus amigos e irmãos angolanos, escutem com muita atenção este depoimento feito por um verdadeiro e nacionalista angolano. Angola é um país rico, lá isso é, pois bem conheço! É triste que tanto lutaram para que Angola foce um país independente e com direitos socias iguis, mas não, não é assim! Em Angola os filhos da terra, os filhos dos que morreram na luta por uma independência e democracia, estão a passar por miséria enquanto que os governantes, estranjeiros, raptam tudo para seu belo prazer!
Angola tem de mudar de politica e de partido. As eleições estão aí e o povo não pode deixar-se levar pelo conto do vigário! Forção queridos irmãos, "Agola, primeiro é dos Angolanos, segundo é dos Angolanos, terceiro é dos Angolanos...quarto é de todos os que venham com boas intenções e repeitem os pricipios democráticos dedicando-se a Angola com alma e coração!... o nosso galo canta... oié-ié!!! Muangoléééé...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ADORO A NATUREZA


Eu gosto de tudo o que tem a ver com a natureza.
O mundo é lindo com as coisas estáveis e as instáveis.
Gosto das grandes chuvas que me trás o cheiro do pó que faz levantar.
Gosto de ficar deitado dentro na cama, dormindo ou namorando, na cubata (casa d palha). Gosto dos trovões, dos vulcões, do ruido e da inquietude do mar!
Gosto de ouvir o vento mexendo com as copas das grandes árvores, imbondeiro, palmeiras, taculas, banzes, mulembas, Pau-preto, Etc.
Gosto de ouvir o estrondo das águas de uma grande Cachoeira lá nos meus rios de Angola. Gosto de ouvir o rugir do leão, ver os crocodilos e hipopótamos lá nas águas dos grandes rios de África. Eu adoro a NATUREZA!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Recordação de um Moçambicano cheio de saudade!

Ai minha terra das memórias do caju apanhado ate onde chegava a mão das frondosas arvores no campo, das mangas mal maduras colhidas à pedrada no regresso a casa depois das aulas, do amanhecer na savana com o sol a romper o matinal cacimbo, da terra vermelha da barreira, local das minhas coboiadas com os miúdos da minha idade, do sal mal tirado da pele no duche apressado entre a manhã de praia e a sessão dupla do Scala, das folhas envernizadas dos palmares reflectindo os raios dourados da tarde, das ondas pintadas laranja ao entardecer e das nuvens jorrando vermelhos e dourados prenúncio da sinfonia de sons da noite abafada que se avizinha.

Oh terra minha dos cheiros após a repentina bátega de agua desabada entre relâmpagos que dá lugar a uma inesperada calmaria, dos condimentos e especiarias da loja do indiano, dos frangos na brasa do Piri-Piri, do sarapatel e do caril, e das flores dos jardins quando a lua se eleva redonda num fundo de estrelas.

Oh minha terra das ruas e praças e quintais, dos amigos da minha escola e do liceu, dos primeiros amores e do primeiro beijo, das mãos dadas e corpos próximos nas danças ao som dos 5 di Roma e dos Nigth Stars...

Das praias de areia dourada e ondas verde esmeralda e turquesa, dos rios serpenteando ora pachorrentos ora caudalosos, e das gentes várias, mas sobretudo das crianças pretas risonhas, de olhos redondos e dentes alvos sorriso espontâneo de quem ama a vida mesmo quando esta os parece ter esquecido.

Onde estão as poeiras douradas dessa vida que de ti me afastou, onde morarão as recordações de um tempo já passado (ou sonhado) que connosco desaparecerão?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Misse Universo 2011 é Angolana



Adorei!!!
Sempre disse e continuo a dizer, e esta conquista vem me dar razão, Angola é onde estão as mulheres mais lindas do mundo! Viva a mulher Angolana! Parabénssssssss!!!!!!! Fiquei feliz

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Carta de um contratado

Eu queria escrever-te uma carta amor,
Uma carta que disse-se deste anseio!
Deste anseio de te ver!
Deste receio de te perder!
Deste mais bem-querer que sinto!
Deste mal indefinido que me persegue!
Deste saudade em que vivo todo entregue!
Eu queria escrever-te uma carta amor!
Eu queria escrever-te uma carta amor…
Uma carta de convivências íntimas!
Uma carta de lembranças de ti!
De ti, dos teus lábios vermelhos como tacula!
Dos teus cabelos negros como diloa!
Dos teus olhos doces como mecombe!
Dos teus seios duros como maboque!
Do teu andar de onça!
E dos teus carinhos!
Que maior não encontrei por aí!
Eu queria escrever-te um carta amor,
Que recorda-se nossos dias na capopa!
Nossas noites perdidas no capim!
Que recorda-se a sombra que nos caía dos gampos!
O luar que sequava das palmeiras sem fim!
Que recorda-se a loucura da nossa paixão!
E amargura da nossa separação! …
Eu queria escrever-te uma carta amor,
Que no lesses sem suspirar!
Que a escondesses do papai Pongo!
Que a sono negasse na niquieza!
Que a relesses sem a infruieza!
Sem a infruieza do esquecimento!
Uma carta que em todo o quilombo,
Outra a ela não tivesse merecimento!
Eu queria escrever-te uma carta amor!…
Eu queria escrever-te uma carta amor,
Uma carta que te levasse o vento que passa!
Uma carta que os cajus e cafeeiros!
Que as hienas e palancas!
Que os jacarés e bagres!
Pudessem entender!
Para que se o vento a perdesse no caminho,
Os bichos e as plantas!
Compadecidos dos nossos plugente sofrer,
De canto em canto!
De lamento em lamento!
De farfalhar e farfalhar!
Te levassem puras e quentes!
As palavras ardentes!
As palavras magoadas da minha ir dar-te!
Que eu queria escrever-te amor!
Eu queria escrever-te uma carta
Mas… há meu amor…
Eu não sei compreender porque é!
Porque é meu bem!
Que tu não sabes ler!
E nem eu… pró desespero… não sei escrever também!!!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Andwa, os lindos pássaros da minha selva!

Aquela selva, de árvores de grande porte com suas enormes copas, por baixo de si tinha muitas plantas de cafeeiros. Havia um pássaro, chamado de Andwa, que nidificava dentro dos cafeeiros. Seus belos ninhos com seus filhotes eram de beleza rara. Esta ave temia pouco o homem, por isso fazia seus ninhos nestas plantas que eram rasteiras, com cerca de 2 a 3 metros de altura. Acontecia muita vez o homem estar a mexer nos filhotes e os pais a uma distancia de um metro de nós, ou mesmo dentro do ninho. Se lhes roubássemos os filhotes ainda de tenra idade era fácil alimenta-los com banana, pois seus pais os alimentavam de frutos, principalmente de banana, mamão, goiaba ou papaia. Eu tinha uma grande gaiola onde coloquei cerca de uma dúzia desses belos pássaros e já faziam por lá suas crias. Eram lindas as Andwas e os seus belos cantares enchiam-me a alma!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aquilo que o povo herdou!

Há quanta tristeza reside em meu coração! Os angolanos não requereram, o que lhes era de direito, para viverem assim! Não, Angola é um país que tem por dom de natureza, boa gente. Gente que ama, gente que sofre se te ver sofrer, gente que sorri mesmo quando sentem falta de comer! Os angolanos não mereciam viver sob alçada de um governo tirano, ditador e corrupto! Vejam este vídeo que entristece a minha alma!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O meu coração dói!

Quando li esta carta não consegui conter as lágrimas, pois como esta criança, nesta terra tão amada por quem aprendeu a ama-la, muitas passaram pela mesma situação. Foi triste, muito triste. Meus queridos seguidores, cliquem no Link e leiam a carta desta criança!
http://www.pime.org.br/missaojovem/mjatualidangola.htm



Um forte abraço a quem passou por isto.

sábado, 11 de junho de 2011

Cada vez mais me entristece a situação política em África

http://www.folha8.blogspot.com/2010_11_01_archive.html
No século XV os europeus colonizaram a África. Depois, de várias barbaridades que cometeram sobre os nativos, tratando-os como se focem animais irracionais, explorando-os e escravizando aquela gente, já em pleno século XX, depois de vários confrontos contra os colonizadores, os movimentos lutadores que exigiam a independência de seus países, através da força e de milhares ou milhões de mortos, lá conseguiram. O que mais me revolta neste momento, pois sempre que vivi em Angola fui apologista da independência (vivi lá de 07-01-1063 a 21-09-1975), é que, os que tomaram o poder de governação não aceitaram que o seu povo fosse livre! Depois de já todos nós estar-mos a ver o que se passa no Norte de África, em que quem está no poder é ditador e o povo não tem direito a escolha, também na Costa do Marfim, onde o povo á pouco tempo votou, escolheram um outro governante, mas o que estava lá e que perdeu, não quer sair, ficando assim, neste momento, com 2 governantes, o que perdeu e não sai, o que ganhou e não pode entrar, estando assim aquele povo sem serem governados. Em Angola, como todos devem ter visto, os cidadãos, revoltados com o sistema, decidiram fazerem um protesto pacífico. O governo, do ditador José Eduardo dos Santos, ao saber da pretensão do cidadão e que era para o dia 7 de Março do corrente ano, preparou os seus lacaios e fez primeiro no dia (3 do mesmo mês) uma manifestação de apoio a si próprio. Quando, então no dia 7 os primeiros 17 homens que se colocaram na rua para assim receberem os que viriam, alguns destes que já lá estavam até eram jornalistas, o comandante da polícia mandou que os prendessem e os levassem para serem interrogados.
Luanda, 07 mar (Lusa) - A Polícia Nacional angolana disse que a detenção de 17 pessoas, incluindo quatro jornalistas do Novo Jornal, que se encontravam de madrugada no Largo da Independência teve como objectivo evitar "actos de agressão".
Em declarações à imprensa angolana, o porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, “superintendente chefe” Jorge Bengue, disse que as pessoas detidas pretendiam realizar no local uma vigília, que tinha sido impedida pelo Governo da Província de Luanda.
"À medida que essas pessoas se iam juntando no largo, foram surgindo no mesmo local, um outro grupo de pessoas, provavelmente moradores, com intenção de dispersar esse grupo de pessoas", explicou Jorge Bengue.
Com esta intimidação logo da captura dos primeiros 17 homens, já ninguém se atreveu ir para a rua. É triste o que o povo de da África está a passar na mão de governantes que estão viciados na corrupção e não querem, por nada deste mundo, largarem o poder que o detêm sobre forma de ditadura á mais de 30 anos. Tal como agora Kadafi diz: Prefere morrer que largar o poder. Pensei que ao acabar-se com o colonialismo o povo seria livre mas enganei-me. Um abraço fraternal a todos os africanos que estão a serem vitimas de abuso de poder!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

As codornizes na savana.

Recordo, daquelas vezes em que os meus amigos levavam-me com eles para apanharem codornizes lá na anhára (savana). O Paulino agarrava em mim às cavalitas (sobre o seu dorso = costas), os outros todos caminhavam connosco para o local onde havia, por entre o capim (um trigo selvagem), vários caminhos por onde as pessoas passavam quando se dirigiam de uma aldeia para a outra, ou quando iam para os seus afazeres lá nas suas lavras junto ao rio. Naqueles caminhos estreitos colocavam-se várias ratoeiras feitas por uma lançada de um fio e uma vara que ficava vergada fazendo pressão, de forma que, quando a codorniz passasse dentro da lançada destrancava o laço e a vara, exercendo pressão, prendia a codorniz. Nós estávamos escondidos a uma distância dessas armadilhas cerca de uns 15 metros e víamos as codornizes a aparecerem aos bandos. Entre 5 a 8 minutos ouvíamos uma das armadilhas a disparar e a codorniz a saltar aflita. O pior era a minha irmã Filomena, ela nunca deveria ir connosco, pois sempre que disparava uma armadilha, ela gritava dizendo: -Já apanhamos uma!
Só que nós, ao escutarmos, não deveríamos abrir a boca que era para elas por lá continuarem e assim mais cairiam nas outras ratoeiras, pois assim elas ouviam-nos e fugiam. Por isso nunca queríamos que a minha irmã fosse, pois sabíamos que ela era muito arruaceira e estragava tudo. Quando ela não ia trazíamos dezenas delas. Eram tão saborosas fritas ou de churrasco, hum!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os cães ladram e a caravana passa (Click no Link em baixo)






Minha gente, meus irmãos, o voto é a arma do povo! Todos temos o dever de axegir um governo de todos para todos. Um grande abraço destes vossos irmão que se encontram na Diaspora.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O que se passa em Angola é rediculo!

Este é o blog do Nelo de carvalho, um Angolano na diaspora. Uma pessoa que está atento à corrupção que se pratica no seu país. No país que lutou contra a exploração colonial e que acabou por caír nas mãos de um ditador e corruptos José Eduardo dos Santos, seus capangas e familia. Triste, muito triste!



Queridos amigos! Leiam, por favor este Link do amigo Nelo:

http://blogdonelodecarvalho.blogspot.com/2011/05/um-artigo-para-as-49-criancas-difundas.html



Um abraço fraternal a todos Angolanos e a todos que amam Angola. Também a todos que lutam pelos direitos Humanos.

sábado, 2 de abril de 2011

Branquinha como a neve… até ao castanho torrado!

A Primavera em Angola inicia-se quando se inicia o Outono em Portugal! Era ver, nos morros (montanhas) do Amboim – Kwanza-Sul, o lindo cafezal se vestia de branco! Hum… que gostoso cheiro entravam pelas minhas narinas vindas da bela flor, parecendo neve que havia caído sobre aquelas plantas de café. Eram tantas flores que tapavam as folhas dessa preciosa planta “cafeeiro”. Passado 15 dias, a flor desaparecia para dar lugar a um pequenino grão que iria crescendo até se tornar adulto, sempre esverdeado. Já nos finais de Junho ele se tornava maduro e de cor vermelha, parecendo-se com uma cereja. Lá na “Roça”, logo pela manhã, o cheiro do café que o cozinheiro fazia num grande panelaço, para os trabalhadores tomarem antes de pegarem no trabalho. Saltava da cama e corria para lá, junto do cozinheiro e dos trabalhadores, para beber daquele delicioso café. Ele era puro, pois era cultivado lá na roça, secado no “terreiro” (género de uma eira mas de terra batida), debulhado por uma grande máquina que tinha umas grandes correias que ligavam umas polis às outras e que, através de um tractor agrário, se punha a marchar essa gigantesca máquina depiladora. Depois, pegava-se o grão, já descascado, colocava-se no forno, que tínhamos para coser pão, até ficar torrado. Em seguida seria feito em pó esmagando-o, com dois ou um pau, dentro de um “pilão (almofariz feito de um tronco de arvore). Hum!!! Nem posso recordar daquele cheiro e paladar gostoso do café natural criado lá na “tonga” (zona de cultivo nas montanhas).

sábado, 26 de março de 2011

O bananal à beira do ribeiro

Sinto o cheiro, o som e aquela imagem do lindo bananal à beira de um ribeiro, onde havia uma pequena cascata. Onde a cascata caia, formava um pequeno lago antes de continuar o seu leito para entrar no rio Nhia.
Era um grande bananal, de bananeiras que produziam cachos de bananas que atingiam cerca de 80 quilos cada. Nós, as crianças, por vezes, pela estrada de terra batida e avermelhada, seguíamos até lá. Havia tantos cachos de bananas, uns verdes mas outros já amadurecendo. Tirávamos umas e comíamo-las, hum… como eram gostosas aquelas bananas com um cheiro que nunca mais encontrei igual! Passávamos por entre o bananal e aproximamo-nos do ribeiro onde se encontrava algumas mães, dos meus amigos, lavando a roupa lá no lago. De tronco nu, ancas à mostra até uma parte das nádegas, só uma tanga tapava parte delas e a parte vaginal, de pele lisa e brilhante, curvados sobre as águas compunham aquele lugar de cheiro exótico.
“A função sexual no homem, levou as nádegas a assumirem uma função terciária, de carácter social. Na maioria das sociedades humanas actuais, independente de sua indumentária típica (que pode mesmo chegar à nudez total), as nádegas são encaradas como áreas "tabu" do corpo humano, onde o toque só é permitido em casos de extrema intimidade. Em certas sociedades, no entanto, um palmada nas nádegas pode ser interpretado como um cumprimento ou um gesto de incentivo entre membros de um grupo social fechado, especialmente entre homens. Em muitos lugares, é considerada uma ofensa grave a exibição deliberada das nádegas nuas.
Em Portugal, mesmo em Angola, as nádegas são consideradas a preferência pois é a região anatómica feminina mais observada pelos homens. As mulheres com o maior volume de nádegas causam uma maior atenção e desejo sexual”.
Os filhos daquelas mulheres, meus cambas (amigos), tiravam as roupas e sem preconceitos, saltavam lá para a água enquanto eu apreciava toda aquela azáfama… do bananal ao ribeiro. O nosso bananal à beira do ribeiro!

segunda-feira, 21 de março de 2011

As judiarias que lhe fizemos!

Era uma vez, um homenzinho dos seus 50 anos que trabalhava na EIP (Electricidade Industrial Portuguesa) em Portugal. Foi destacado pela empresa para ir trabalhar para Angola, no inicio da década dos anos 70, na construção de uma linha de corrente eléctrica de alta tenção, que iria ligar à barragem de Cambambe, no rio Cuanza, à cidade da Gabela. Essa linha passava mesmo por cima da nossa Chitaca (roça). Ele, o Sr. António, foi fazer parte de uma equipe que já lá andava nesses trabalhos. Mas ele era o mais velho e o mais novo naquela equipe. Todos almoçavam, jantavam e dormiam em nossa casa dentro de um armazém que tínhamos para resguardar o café ou o milho. Pois como a cidade ficava a 50 quilómetros de distância, não compensava ir e regressar aquele lugar de trabalho. Eram cerca de 25 trabalhadores, todos eles com experiencia de trabalharem entre selvas e savanas, só o Sr. António era um noviço mas com muita curiosidade para saber das coisas “misteriosas” que ouvira falar de Angola ainda em Portugal. Queria saber o que era uma pacaça! Então um certo dia, lá na savana, enquanto trabalhavam, os seus colegas o chamaram para se aproximar, mas em silêncio, para traz de uma árvore a fim de a ver. Foram dizendo para se colocar mais à esquerda, ou mais à direita para que a pudesse ver a pastar. O sr. António lá se foi colocando, ao jeito que o mandavam, mas teve de sair correndo, gritando alucinadamente, com as picadelas que sentia pelas pernas a cima. Pois não havia, ali, aquele animal que pretendia ver. Havia, era um grande carreiro com milhões de formigas carnívoras, para onde foi conduzido pelos colegas a fim de sentir o que era a mordidela dessas formigas. Enquanto ele gritava os colegas maldosos desatavam a rir. Fizeram-lhes mil e uma judiarias. Outra vez eles passaram por perto de um bananal e o Sr. António ao ver aqueles lindos cachos, alguns já maduros, contemplou-os. Os colegas deram-lhe uma catana e disseram-lhe para ele cortar um. Ao verem que ele já tinha subido a bananeira e se preparava para cortar o cacho, numa destreza aproximaram-se da bananeira e deram-lhe um golpe, fazendo com que a bananeira tomba-se com o Sr. António. Pois nuca se sobe a uma bananeira para lhe extrair o cacho. Ela só dá um, por isso tem de ser cortada rente ao chão a fim de que voltem a surgirem rebentos que serão as novas bananeiras. Também o Sr. António não gostava nada de jindungo (piripiri). Então, as minhas irmãs que preparavam as mesas onde eles tomavam as refeições, no prato, no guardanapo e na borda do copo do Sr. António esfregavam-lhe jindungo. Por um pequeno orifício enfiavam, no pão e na maior banana, um bago de jindungo. Até nos talheres lhe esfregaram jindungo.
Já imaginaram o homem, perdido com aquele fogo na boca, deixa de comer e para o abafar vai beber água mas o copo estava pior, limpa-se ao guardanapo piorou a situação, desiste de almoçar e sai para a rua, mas regressa com um sorriso e vem buscar a maior banana que estava no cestinho. Quando lhe dá a primeira trincadela e mastiga, a gritar entra para a sala e vê os colegas todos a rirem.
Depois as minhas irmãs lá lhe arranjaram outra coisa para ele comer. Já à noite, quando se deitaram nas camas, viram o senhor António a sair da sua a gritar, pois os seus colegas espalharam nos lençóis um pó que se retirava da vagem de uma árvore e que causava uma comichão tremenda! Mais uma vez o amigo António era vítima das judiarias de seus colegas. Tudo isto em nome da “amizade”.
Mas eram saudáveis aquelas brincadeiras e ele sentia-se feliz com isto. Também já o conheciam e sabiam que poderiam brincar com ele. Por isso, isto era tudo combinado. Bela recodação na histórias da minha vida!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Que grande saudade do nosso lago!


Era sempre assim: Em frente à aldeia onde eu vivia, lá no meio da savana, mesmo ao fundo do morro, os pais dos meus amigos para construírem suas casas, retiravam terra lá dum local mesmo em frente à aldeia. A medida que tiravam essa terra o buraco ia crescendo e ficou mesmo muito grande. Ficou tão largo que, quando chovia, tornava-se num lago e nas suas bermas cresciam caniços da “massambala”. A “massambala” é um tipo de cana fina que junto de sua folhagem tem género de um espigo com um grão um pouco maior que o do trigo. Para além destes caniços crescia uma outra folhagem do capim conhecido por “marianga”. Aquele buraco junto da aldeia, lá longe onde eu vivia junto dos meus cambas (amigos), por noite dentro ouvia-se o canto produzido por centenas de rãs. Durante o dia, nós os miúdos, pegávamos um pedacinho de arame de rede de capoeira, afiávamo-lo e curvávamo-lo fazendo assim um anzol. Depois, pegava-mos um pau com 2 metros de “mica” (fio de nylon que se utiliza para a pesca e outros trabalhos), apanhávamos umas minhocas e colocávamos no anzol, logo a rã ia lá apanhar e nós as tirávamos para fora do lago. Fazíamos concurso para ver quem apanhava mais. A minha irmã mais nova com a idade dos 8 aos 11 anos, ficava lá connosco mas gritava para ver se algum, dos nossos cambas, lhe emprestava o “apanhador de rãs". Já rente à noite regressávamos felizes pela brincadeira que fazíamos lá no lago, no nosso lago!