Estes são os Blogues dos que amam Angola

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma predadora de cabritos


Certo dia, em que o meu pai se tinha deslocado à capital (Luanda) para tentar encontrar um armazém que lhe pagasse melhor a produção de café, eu dirigi-me para junto de um tanque, que tinhamos em frente da casa com água potável que servia para todos, com intenção de aparar aquela água fresquinha com a mão e bebê-la. Qual não foi o meu espanto ao ver que juntamente com a água que caía na minha mão excremento de cabra. Como era totalmente impossível, deslocarem-se cabras para aquelas altitudes rochosas, pedi a um rapaz, chamado Januário, que não trabalhava e que pertencia ao tal grupo que eu ensinara a escrever e que andava sempre na minha companhia, para ir ao local do nascente e ver o que se passava.
Passados uns momentos vejo-o a correr por ali abaixo, saltando pedra por pedra, para me dizer que a causa daquele estranho acontecimento era uma cobra que estava enrolada na água e tinha na boca um cabrito.
Quando ás cinco horas os cinquenta trabalhadores que trabalhavam na nossa fazenda de café, terminaram o trabalho, pedimos-lhes para lá irem matar a cobra mas todos recearam e ninguém queria ir. Surgiu então um homem, que pelos vistos era um destemido e era o chefe nas caçadas, que se resolveu a ir lá, e claro que todos o acompanharam. O ancião mexeu na cobra com um pau, e quando ela levantou a cabeça passou-lhe, a bem afiada catana, fazendo-a saltar logo para o chão, trespassada pela lâmina. Trouxeram-na aos ombros, atada a um tronco. Tinha seis metros de comprimento e uns noventa centímetros de envergadura. Era uma “jibóia”.
Pousaram-na no chão e esteve ali a saltar cerca de meia hora.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Numa noite de caça


Quando tinha 19 anos, fui passar uns dias a casa dos sogros da minha irmã Otília, que ficava a dez quilómetros de distância.
Um dos filhos, o Toninho, era mais novo que eu, tinha apenas 17 anos.
Um dia, por volta das 22 horas, pegou no Jeep Land Rover, colocou-me na cabine. Na carroçaria, de pé, seguiram dois homens de raça negra. Cada um deles levava um farolim na testa. Farolim esse, ligado a uma bateria pendurada na cinta e uma arma na mão.
O Toninho conduzia o Jeep, também com uma arma ao nosso lado. As armas eram caçadeiras e a 22 longos (22 longos era uma arma de caça parecida com a G3 arma do exército) utilizava uma bala, certeira a uma distância de cento e cinquenta metros.
Lá seguimos até a “Anhara” Savana de N’dala Caxibo.
Depois de termos percorrido uns vinte quilómetros começaram a ver-se, naquele deserto escuro, centenas, ou milhares, de olhos a brilharem.
Eram Palancas, Gnus, Nuches, Veados, Impalas, Pacaças, Seixas e Javalis.
Junto destes havia clãs de animais carnívoros: leões, hienas e onças (estes últimos são semelhantes a um leopardo mas um pouco mais pequenos e só eram brancos com pintas pretas).
Leões, os Reis da nossa savana de Angola
Parámos, ali perto dos quadrúpedes. O Toninho saltou para cima do veículo e tanto ele como os outros, de arma em punho atiravam contra aqueles olhos brilhantes. Como nos encontrávamos num deserto e em risco, devido aos Leões e Hienas, ninguém saiu do Jeep, nem mesmo para recolher a caça.
Regressámos a casa e no dia seguinte, bem cedo voltámos lá e trouxemos três peças de grande porte. Ficámos com alguns nacos mas 88% da caçada foi entregue ao povo da Sanzala.
Era assim em “África Minha”.

Caíram dentro das redes esforçados pelos canhões.


Imprensa jornalística e criadores de blog’s, em Angola, têm falta de liberdade para falarem da realidade no país e que conhecem melhor que eu. Noto, em certos blog’s, como por exemplo no “Informar Angola” que estão acanhados. Escrevem algumas coisas banais, há falta do realismo, a falta de poderem opinar como o faço em meus blog’s, como faço falando da verdade que acontece em Portugal. Nota-se, sem dúvida, a falta de liberdade de expressão, tal como acontecia em Portugal há 40, no governo Salazarista, onde foi criado uma polícia para prenderem e torturar quem falasse contra o Estado. Criou a censura, nas escolas era obrigatório haver, pendurado nas paredes, molduras contendo as fotos do ditador. Somente dava apoio á religião católica para que a mesma levassem o povo a aceitar aquele governo e até, os padres que bem conheciam os aldeões, serviam de informadores da PIDE (Policia de Informação e Defesa de Estado). Também, pelo que me apercebo, o mesmo está acontecer em Angola. Pelo que leio, o povo em Angola não é livre.
MPLA (Muita Pressão de Luanda aos Angolanos)

Notem bem no que vão ler: Angola 27 de Maio de 1977


Em 27 de Maio de 1977 uma facção pro-soviética do MPLA intentou tomar o poder por meio de um golpe de estado. À cabeça desta conspiração estava o velho líder do MPLA Nito Alves, considerado por muitos como uma das mais influentes figuras dentro do governo. Uma grande parte dos principais chefes das forças armadas estava convicta que Nito Alves possuía as melhores condições políticas para dirigir o país, mas por ter sido o principal condutor da guerra de guerrilhas nas selvas. Alem disso, Nito Alves tinha sido um homem que conseguiu derrotar e expulsar de Luanda a FNLA meses antes da proclamação da independência. Foi o ideólogo nas organizações dos Comités do Poder Popular nos musseques de Luanda que ajudaram a consolidar o MPLA. Moscovo considerava que Neto não era um homem de confiança e que uma vez consolidado o seu governo podia ocupar uma posição de aproximação ao Ocidente e mais tarde pactuar com o próprio Savimbi. Os verdadeiros propósitos do golpe ficaram encobertos com o fingido descontentamento desta facção pela influência no governo dos intelectuais mestiços como Paulo Jorge, Lúcio Lara, Iko Carreira e Outros. No dia 27 de Maio de 1977 as tropas golpistas tomaram as principais unidades militares das FAPLA e as instalações de rádio da capital. Quase tinham conseguido os seus propósitos quando se deu um descalabro ao intervirem as tropas cubanas. Os conspiradores pensaram que os cubanos permaneceriam neutros no conflito. Para eles, era lógico de supor que Moscovo tinha coordenado previamente com Habana o desenvolver dos acontecimentos. No entanto deram-se ordens imediatas para sufocar a revolta. As tropas sublevadas não podiam suspeitar que os tanques e veículos blindados que irrompiam na capital iam desarmados e já para o entardecer do dia 27 as diferentes guarnições em poder dos rebeldes depunham as armas sem oferecer resistência. Outros imprtantes líderes do MPLA e chefes militares das FAPLA estavam implicados na intentona golpista. José Van Dunem comissário político das Forças Armadas; o comandante Jacob das FAPLA, David Aires Machado e outros. Nito Alves refugiou-se na Missão Militar Soviética e permaneceu escondido nela até ao mês de Julho em que foi detectado pela Inteligência Cubana. As conversações posteriores entre Habana e Moscovo conduziram à entrega do líder rebelde às tropas cubanas. Fidel de Castro ganhava mais uma vez a gratidão do presidente angolano oferecendo-lhe em bandeja de prata o seu principal inimigo. Mais tarde deixava de existir diante do pelotão do general cubano Del Pino “Proa a La Liberdad”). O oficioso Jornal de Angola, a rádio e a televisão instalam o ódio e o revanchismo. O Jornal de Angola publica editoriais intitulados: Não pode haver tolerância com os francionistas, Encontrá-los e prendê-los, Vingar os heróis, Fuzilar os francionistas. Depois coloca as fotos e os nomes (Nito Alves, José Van Dúnem, Bakalof, Pedro Fortunato, Betinho) e, em letras gordas no cabeçalho, (Amarrem-nos onde forem encontrados). No dia 28 de Maio na Rádio Nacional Agostinho Neto diz: “Não haverá perdão, nem tolerância contra todos aqueles que quiserem destruir o MPLA” e mais: “Não vamos perder tempo com julgamentos”. Bem… a mim não me admira isto, «liberdade com o MPLA nunca, é melhor matar quem a quiser». Continuando: Fica ainda por se saber o que o Presidente Neto quis dizer com a frase: “…E com isso não me venham dizer que estou a defender uma direita. Porque não há direita que resiste a uma esquerda unida, mas a direita avançada quando a esquerda está dividida”. Sita Valles, que se celebrizara no movimento estudantil em Portugal, e aprendera as primeiras lições de marxismo-Leninismo nas fileiras do Partido Comunista Português, tem a cabeça a prémio. É uma das cabecilhas do «golpe de estado». A 8 de Fevereiro de 1977, nasce Ernesto, o primeiro filho de Sita e de Van Dunem. «Demos-lhe o nome de ‘Ché’ em homenagem a Guevara», escreve aos pais. Continua defensora da causa do proletariado. Para Sita, que se encontra num Comando de Operações, a notícia do esmagamento da revolução chega como um dobre de finados. E prepara a fuga. Carlos Jorge e Nelson Pinheiro (Pitoco), elementos da DISA, chefiam a expedição, que estaciona junto a uma vala comum de 200 metros. Mal os prisioneiros se apeiam, soam as rajadas das «kalachnikov». Alguns ainda têm tempo de gritar: Salvem-me não fiz nada. A norte de Angola, na aldeia Kaleba, Francisco Karicukila esconde Sita Valles. Não se lembra do ano em que nasceu, mas sabe que em 1966 já lutava pela libertação de Angola. Em Junho, Sita Valles assina a sua sentença. De Kaleba, envia, através de um filho de Karicukila, uma mensagem para a família Van Dunem, «Na carta, ela dizia à secretária de Agostinho Neto para pedir aos soviéticos que lhe preparassem a fuga». Dias antes, às cinco da manhã de 1 de Agosto, sem julgamento, depois de ter sido torturada e violada por vários homens da DISA, Sita Valles, aos 26 anos, morria. Recusa a venda e olha o pletão de frente: «A cabra parecia que não queria morrer». Durante esse ano, jovens e velhos militantes do MPLA, ministros e chefes militares, desaparecem. Um tribunal militar, chefiado pelo coronel João Neto (Xieto), chefe de Estado-Maior Geral, decide quem deve ou não sobreviver. Nos cadernos não constam acusações, só o nome próprio e, ao lado, o nome de guerra das vítimas. Eram assinadas pelos dois chefes da DISA (Ludy) e Onambwe, e pelo Presidente da República. Os objectivos de tortura são um chicote e um espigão de ferro, aos quais chamavam Marx e Lenine. O capitão de Abril ainda guarda no corpo as cicatrizes, e não percebe como sobreviveu. Centenas de homens tinham morrido na mira da espingarda de Maninga, o chefe do centro. E os que escaparam, lutavam como podiam pela sobrevivência. Por uma mandioca qualquer preso se oferecia para coveiro. Desenterravam os cadáveres para os comer: era a única forma possível de pôr cobro à fome. «Foi um verdadeiro genocídio», afirma José Nunes. «Em Angola devem ter morrido umas 30 mil pessoas».
Nota: Estes foram trechos retirados de vários livros que falam destas atrocidades cometidas pelo MPLA para poder evitar que o povo de Angola seja livre.




segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando Angola era uma província portuguesa.

De Novo Redondo (Sumbe) a Benguela

Angola, que eu conheci desde o inicio dos anos sessenta, em varadas dimensões da sua grandeza física e riqueza humana, revelava já a virtude de se converter, num futuro próximo, numa relevante sede de e de influência em toda a África Austral.
O impulso dado à sua economia e ao seu desenvolvimento nessa década, que se traduziu em taxas de crescimento do produto interno bruto verdadeiramente fantásticos e na implementação de múltiplas infra-estruturas que ainda hoje subsistem ou se encontram em reabilitação (nomeadamente a expansão urbanística, a rede de estradas asfaltadas e de aeroportos e aeródromos, os aproveitamentos hidroeléctricos e os edifícios escolares, hospitais e sanitários), ainda hoje causa um sentimento de legitimo orgulho em todos quantos o protagonizaram ou simplesmente nele participaram, e que estão convictos que os activos deixados superam largamente os passivos que não deveriam ser ignorados ou camuflados.
Aqui, vou dedicar mais a minha escrita sobre Novo Redondo (Sumbe) a Benguela.
A evolução de cidade seiscentistas como Benguela, fundada em 1617 pelo governador Manuel Cerveira Pereira, ou derivados de um antigo presídio setecentista como Novo Redondo (actualmente designado por Sumbe e capital da província angolana do mesmo nome), adquirem particular destaque neste capítulo do meu Blog, em especial esta ultima por ser a província onde cresci e me vai na alma.
A norte de Novo Redondo desenvolveu-se a vila portuária de Porto Amboim, ponto terminal do caminho-de-ferro que possibilitava o escoamento da produção de café da rica região da Gabela. Mais a sul e a cerca de trinta quilómetros a norte da centenária Benguela, cidade crioula das acácias vermelhas, surgiu nos inícios do século XX uma das maiores cidades porto do Atlântico Sul, o Lobito, prevalecendo-se das invulgares condições naturais da sua baía.
O Lobito constituía a estação de partida do caminho de ferro de Benguela que, cruzando as férteis regiões planálticas do centro de Angola e as savanas do Moxico, alcançava a fronteira em Vila Teixeira de Sousa (actualmente denominada Luau) e permitia a saída das riquezas mineiras do Congo. Entre o Lobito e Benguela, a histórica vila da Catumbela, nas margens do rio do mesmo nome, ostentando ainda a sua antiga fortaleza ou reduto, é sobretudo conhecida pela presença da importante fábrica de açúcar da Sociedade Agrícola do Cassequel no Dombe Grande.
Todos estes inúmeros territórios ao sul do rio Cuanza foram objecto de ocupação durante o domínio filipino de Portugal, concretizado com a função da povoação de Benguela que conferiu a Manuel Cerveira Pereira o título de Governador do Reino de Benguela.
Homenageando o Rei, o fundador designou-a por S. Filipe, que de imediato se converteu num pólo de penetração comercial para o interior.
Contudo, só no século XVIII surgem as primeiras construções em alvenaria, salientando-se a igreja barroca de Nossa Senhora do Pópulo, e o antigo palácio do governo e a alfândega.
O comércio com os sertões que prevaleceu nos primórdios da presença europeia, baseado no tráfico de escravos e nas caravanas do marfim e da borracha, acabou por dar lugar, após a construção do caminho-de-ferro de Benguela, à economia fundada na exploração das riquezas agrícolas – açúcar, tabaco, sisal, batata, arroz, frutos – e piscatórias.
Tendo começado como uma pequena aglomeração de “quintais” e “quintalões”, Benguela tornou-se uma cidade-parque atraente completada pelo fascínio da sua praia morena e da sua baía azul.
Por seu lado, o Lobito, que nasceu como minúscula povoação em 1843 em resultado da mudança de população de Benguela para um local mais salubre, sendo conhecido pela “Catumbela das ostras”, só no início de novecentos arrancou com o seu processo de urbanização em paralelo com os avanços da linha férrea.
A sua restinga permaneceu sempre como factor de identidade própria e sua sala de visitas, mas os bairros residenciais depressa se entenderam para o Compão e para a Caponte vencendo antigas areias e mangais.
A velha vila de Catumbela, dinamizada em tempos recentes pelo empreendimento agro-industrial da Sociedade Agrícola do Cassequel – fabrico de açúcar – ostentava ainda vestígios materiais do seu esplendor comercial no passado, nomeadamente antigas residências dos primeiros colonos e o Reduto de S. Pedro, fortaleza construída em 1846 pelo bisavó do antigo Presidente da República Marechal Carveiro Lopes.
No distrito de Benguela surgiram outros progressivos centros urbanos do interior, como destaque para as cidades da Ganda (Vila Mariano Machado) e Cubal, para as vilas do Bocoio (V. Sousa Lara) e do Balombo (Vila Norton de Matos), e para a importante povoação piscatória da Baía Farta. As missões católicas tiveram uma acção preponderante que não se limitou à evangelização, antes representou um papel pioneiro e anterior às responsabilidades do Estado no que se refere à instrução e à formação profissional, que exemplificamos uma delas a Missão da Ganda.
Nas décadas de cinquenta e principalmente, que me lembra, sessenta, o eixo económico Lobito - Benguela registou um considerável desenvolvimento de unidades fabris, designadamente nos cimentos, pasta de papel, construção naval, metalomecânica e indústrias alimentares.

domingo, 11 de abril de 2010

Direito a tudo e direito a nada


Como é do conhecimento geral, Angola foi colonizada pelos portugueses cerca de 500 anos. Colonizar, Racismo, Tribalismo e escravatura, são coisas que já deveriam terem sido abolidas á muito tempo, ou melhor… nunca deveriam terem existido.
Neste momento, o que mais me entristece, é saber que em Angola, país que amo, tanta gente morreu para acabarem com o colonialismo. Quando os portugueses foram obrigados a sair, acabou-se com a colonização mas os partidos entram em confrontos a fim de ver quem é que ficaria com o poder, sem que o povo tivesse direito ao voto. Durante os 30 anos que se seguiram, entre uma carnificina infernal de irmão com irmãos, numa guerra “tribal”, o MPLA consegue á força o poder com a ajuda de cuba através de material bélico e homens.
Os verdadeiros patriotas estão condenados a terem que viver com o braço de ferro do Zé Du. Os filhos de Angola, os verdadeiros patriotas, vão ter que gramar com a nova colonização feita por empresas estrangeiras com maior destaque para a China. Estes novos colonizadores são muito perigosos! Pouco a pouco vão-se apoderando de tudo, com o apoio do Zé Du, que recebe cerca de 30% e o povo que se lixe! O povo, o verdadeiro Angolano, esse nunca vai usufruir das riquezas do seu país. Por enquanto, só alguns capangas de Zé Du, terão também oportunidade de extorquirem riquezas da nação.
Tal como acontece actualmente, e no futuro será muito mais, os novos colonizadores extorquirão riquezas de Angola deixando, assim, o povo na miséria. Aquela gente não merecia! Depois de terem perdido a família em lutas armadas, e ficarem tantos mutilados de guerra, vem o capitalismo internacional a sulcar-lhes o petróleo, os diamantes, a produzirem géneros agrícolas e a construírem obras, com mão-de-obra vinda da China e até de Portugal.
Se os antigos colonizadores retiravam para fora de Angola riqueza, isso não representava 5% do que é hoje retirado. Desta forma, pelo que me apercebo, não leva mais que uma década, os Angolanos vão serem governados e oprimidos, pelo capitalismo estrangeiro. As superpotências económicas internacionais, vão amarfanhar Angola e os Angolanos como um Leão amarfanha um coelho.
Isto entristece a minha alma…

Ás crianças de todo o mundo


Criança é Liberdade
Criança é amor,
Criança dá-me felicidade
Quando me sinto com dor.

Quando olho para ti criança
E te vejo a correr,
Ai quanto, quanto eu queria
Como tu poder ser.

Eu tambem já fui criança
Aos nove meses comecei andar,
Aos vinte e dois paralisei
E dependo de alguém para me ajudar.

Uns brincavam atrás de umarco
Outros com o pião a jogar,
Eu sentado ali tão perto
Com a tristeza no meu olhar.

Tu saltas, corres e brincas
E pontapeias a tua bola,
Eu nunca pude fazer isso
Nem antes e nem agora.

Uma cadeira de rodas
Transporta este vosso amigo,
Onde quer que tu me vejas
Não deixes de vir ter comigo.

Agora que sou adulto
Estou completamente desiludido,
Queria continuar a ser criança
Para me parecer contigo.

Para terminar este poema
Aos adultos eu pediria,
Acabem com tantas guerras
Ás crianças dêem alegria.
....................................................


Felicidades para todas as crianças, e que os adultos se lembrem delas, não só no dia 1 de Junho mas, em todos os dias do ano.

sábado, 10 de abril de 2010

No Norte de Angola encontrava-se em Guerra



Angola adoptou-me como filho e, mesmo longe, o meu coração continua lá. É um lindo Continente e de boa gente.
Tal como já frisei, o Norte de Angola encontrava-se em Guerra. Os negros daquela zona revoltaram-se contra o sistema governativo e as práticas exercidas por parte dos patrões, donos dessas fazendas, para com os operários. Só passados seis anos, e depois de me sentir integrado na comunidade negra, tinha eu 15 anos, é que comecei a perceber, que eles tinham razão, e os porquês daquela revolta.
Eu sou branco, mas revoltava-me com as práticas feitas pelos brancos, donos de fazendas, para com os seus trabalhadores. Todos os fazendeiros se estabeleciam, sempre perto de uma aldeia de indígenas. Agregada à fazenda abriam uma loja onde havia todo o género de alimentos, bebidas alcoólicas, roupas e sapatos. Através dessa loja, o proprietário fazia coisas que me faziam “revoltar os fígados”. Aos trabalhadores não pagavam em moeda, era-lhes antes atribuído um “vale” que lhes daria o direito a consumirem somente na loja do patrão.
Havia também casos em que os pais dos meus colegas, que tinham pequenas fazendas de café, quando o iam vender a esse branco, ali estabelecido, (porque a cidade ficava longe para o irem vender aos Grémios), o comprador pagava-lhes, também, com um vale.
Desta forma a pessoa não era livre de comprar os seus haveres onde bem entendesse, acabando mesmo por pagar tudo mais caro pelo facto de não terem dinheiro.
Por outro lado, havia a forma do engano, ou seja, o comerciante, ao vender vinho, ao copo, ao litro ou ao garrafão do total vendido, 30% era mistura com água. Muita da aguardente não era aguardente: era álcool, comprado em farmácias, ao qual misturavam água até descer para os 23 graus.
A escravatura tinha sido abolida há uns anos atrás, mas a maior parte dos fazendeiros ainda tratavam os trabalhadores como escravos. E quanto mais humilde fossem, mais escravizados eram. Neste sentido, os Bailundos foram os que mais sofreram. Eram eles os mais contratados, por angariadores, como o “Santos Correia” no Bailundo, para trabalharem nas ditas fazendas sob formas desumanas.
Se os meus amigos tinham algum sentimento de raiva, contra o homem branco, eu tinha muito mais porque sabia o que se passava “por trás da cortina”.
Mas, ainda, pior que isto, era ver o que a tropa portuguesa fazia com os familiares dos meus amigos negros.
Revoltava-me sempre que apareciam lá, na Sanzala! Só porque tinham uma farda, uma cinta cheia de balas e algumas granadas, e de G3 em punho, apanhavam-lhes cabritos, galinhas, cachos de bananas etc. Carregavam o Jeep e lá regressavam ao quartel. Era revoltante, porque em vez de tentarem repor a ordem, a ordem da igualdade e respeito pelos que se sentiam humilhados e defraudados, não. Eles é que praticavam aquilo que o branco civilizado nunca fazia: roubar.
Foram estas e outras coisas que me levaram a compreender a revolta dos negros no Norte e logo que me foi possível, filiei-me na UNITA para, também eu, mostrar o desejo de contribuir na independência e colocar fim ao sistema colonial.
Foi triste, desumana e aterrorizante a matança que ocorreu no Norte de Angola. E quando muitos dos meus amigos negros, e até, alguns conhecidos brancos que moravam na cidade e que eram da minha idade, foram cumprir tropa em 1972 e 1973 para o Norte onde tinha havido os tais massacres de 1961 em diante, alguns, desses amigos, até foram para Cabinda. (Cabinda éra uma província angolana que ficava a norte e separada de Angola pelo rio Zaire. Foi oferecido a Portugal pelo Reinado da nação Congolesa como gratidão por Portugal os ter ajudado na expulsão da invasão Belga). E como dizia, quando, alguns desses meus amigos, passado meio ano vinham à terra eu perguntava-lhes: -Então, tivera confrontos com os da FLEC em Cabinda, ou com os do UPA ou MPLA no Norte? A resposta era sempre a mesma. Diziam: Andamos por entre o mato e nas zonas dos conflitos e não vimos ninguém. A Guerra já acabou, eles desistiram

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Governo Angolano contra a liberdade dos meus cambas


MPLA manda ONG não se meter em assuntos internos de Angola

O secretário de Informação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Norberto dos Santos Kuata Kanauza, pediu à organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) para “não interferir nos assuntos internos de Angola”.
Norberto dos Santos reagia a um relatório divulgado pela HRW nesta quarta-feira, que considera que “estão ameaçadas” as perspectivas de uma votação livre e justa nas eleições de 5 de Setembro em Angola. “O MPLA não corrobora com provocações do MPLA, partido actualmente no poder.
No documento, a HRW diz que, entre Março e Junho deste ano, realizou uma pesquisa em Luanda, capital do país, e nas províncias de Huambo, Bié, Cabinda e Benguela, onde concluiu que o governo angolano “não está a cumprir plenamente o seu dever de garantir o direito de eleições livres”.
“Menos de um mês antes das eleições está claro que os angolanos não podem fazer campanha eleitoral sem intimidações ou pressões. A não ser que esta situação mude agora, aos angolanos não serão capazes de exercer o seu voto de maneira livre”, afirma Geogette Gagnon, director para a África da “Human Rights Watch”.
A HRW salienta que documentou “numerosos incidentes de violência política envolvendo apoiantes do partido no poder”, apesar das declarações públicas do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, de que as eleições ocorriam num clima livre de violência.
Sobre a imprensa angolana, a HRW afirma ter detectado “indícios claros de que o ambiente já restritivo para a média em Angola tem se deteriorado desde 2007”. A independência da Comissão Nacional Eleitoral também é contestada pela organização internacional, já que “a maioria dos membros é efectivamente nomeada pelo partido no poder”.
A HRW apela ainda para que os observadores eleitorais insistam com o governo de Angola para que seja garantida o acesso a todos os locais de votação e a todas as fases do processo eleitoral.
Fonte: Lusa Brasil
É triste, muito triste! não era isto que os meus irmãos esperavam. As ONG's nunca irão poder serem uma organização que luta pela liberdade do povo, não! Serão controlados pelo estado. E, até poderão virem servirem o Estado no ambito de incutir, no povo, o aceitamento da ditadura.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Guy Rodrigues & Mariane


Meus grandes amigos virtuais. São Benguelenses e por lá vivem. Vivem na terra que me vai na alma. Ambos cantam e encantam, com suas músicas, belas músicas. Transmitem a quem os ouve o sentimento que reside no coração. O Guy Rodrigues, é um camba que descobri e que me tem dado noticias de Angola, principalmente de Benguela, a terra das belas praias e cidade das acácias. Para eles eu desejo muita sorte e que Deus lhes dê o poder de transmitirem, ao povo Angolano, o amor que é a seiva da páz. Força... "Angola, sempre!!!".

Parque nacional no Moxico


Cameia National Park é um parque nacional no Moxico província de Angola, Localizada a cerca de 1100 m acima do nível do mar. Ele compartilha seu nome com o município vizinho de Cameia. O Cameia-Luacano estrada constitui o limite norte do parque com a Chifumage River que formam a parte sul da fronteira leste e Lumege e Luena rios da fronteira sudoeste. Grande parte do parque é constituído de planícies inundadas que fazem parte do Bacia do rio Zambeze, Com a metade norte do parque, que drenam para o rio Chifumage. Há também extensos bosques miombo, semelhantes às da bacia do Zambeze, do oeste Zâmbia. O parque é uma amostra da natureza não ocorrem em outras partes de Angola. Dois lagos, Lago Cameia e Lago Dilolo (O maior lago da Angola) estão fora dos limites do parque e ambos têm ampla reedbeds gramínea e pântanos que são ricas em aves aquáticas.
A área agora conhecida como Cameia National Park foi estabelecida como um reserva de caça em 1938 e como Parque Nacional em 1957. A fauna do parque foi quase totalmente exterminada após a guerra civil devastação do parque, incluindo descontrolada caça e a destruição de infra-estrutura. Existe uma grave falta de pessoal, recursos e apoio para o parque.

domingo, 4 de abril de 2010

O que é uma “ONG”?

ACTIVIASTAS EM BENGUELA

As Organizações não governamentais (ou também chamadas de organizações não governamentais sem fins lucrativos), também conhecidas pelo acrónimo ONG, são associações do terceiro sector, da sociedade civil, que se declaram com finalidades públicas e sem fins lucrativos, que desenvolvem acções em diferentes áreas e que, geralmente, mobilizam a opinião pública e o apoio da população para modificar determinados aspectos da sociedade.
Estas organizações podem ainda complementar o trabalho do Estado, realizando acções onde ele não consegue chegar, podendo receber financiamentos e doações do mesmo, e também de entidades privadas, para tal fim.
Actualmente estudiosos têm defendido o uso da terminologia organizações da sociedade civil para designar as mesmas instituições.
É importante ressaltar que ONG não tem valor jurídico. No Brasil, três figuras jurídicas correspondentes no novo Código Civil compõem o terceiro sector: associações, fundações e organizações religiosas (que foram recentemente consideradas como uma terceira categoria).
Estes espaços organizacionais do Terceiro Sector situados entre a esfera pública e a privada, identificados por alguns autores como públicos não estatais, cumprem papel relevante para a sociedade.
Na verdade, é preciso constatar que o surgimento dessas organizações, sem fins lucrativos, que têm como objectivo o desenvolvimento de actividades de interesse público, se deu pelo motivo da não eficiência, por parte do poder público, para o atender às necessidades da sociedade.
Há de se ressaltar que estes espaços organizacionais, denominados públicos não estatais, constituem importantes alternativas de maneira a sistematizar a sociedade como um todo, promovendo acções sociais, culturais, assistenciais etc. quando não se deixem influenciar pelo governo a fim de impor um regime à força sem direito de escolha por parte do cidadão.
Prof. Gilmar S. A.
Betinho definia as organizações não-governamentais da seguinte forma: “uma ONG se define por sua vocação política, por sua positividade política: uma entidade sem fins de lucro cujo objectivo fundamental é desenvolver uma sociedade democrática, isto é, uma sociedade fundada nos valores da democracia – liberdade, igualdade, diversidade, participação e solidariedade. (...) As ONG’s são comités da cidadania e surgiram para ajudar a construir a sociedade democrática com que todos sonham”.
Recentemente muitas fraudes envolvendo falsas licitações tem colocado diversas ONG’s dentro de escândalos de corrupção e desvio de verbas e até de colaborarem com governos onde não existe liberdade de expressão, para incutirem, nas mentes das pessoas, a politica de governos não democráticos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Eu sou branco por fora mas sinto-me negro por dentro.





Com os meus amigos aprendi e acompanhei os seus rituais, a falar Humbundo e a comer à mão o Funge (pirão) com kuizaca da rama de mandioca, calúlú de rama de batata-doce, quiabos, gimboa, beringelas etc. etc.
Sentia-me um jovem feliz, como todos os outros, éramos livres… éramos a savana e a selva, e, a savana e a selva não tinham sentido sem nós.
De adolescente passei a homem, sempre deficiente, por isso era levado por eles pela savana ou selva junto ao rio.
Alimento não faltava, havia muita fruta tropical: banana, ananás, abacate, manga, goiabas, mamão, papaia e outros.
Caçavam Javali, Impalas, Pacaça, Palanca, Nuche, Veados e até Kuitas (género de um rato do tamanho de um coelho). Comia-se a carne fresca, mas a maior parte era colocada a secar. Cozinhava-se, essa carne, com óleo de palma misturada, umas vezes sim outras não, com rama de batata-doce ou da mandioca.
Plantavam batata-doce, mandioca e semeavam milho.
As mulheres, para fazerem farinha do milho, sentavam-se sobre uma grande laje ou num pilão, como já falei num outro artigo.
Ai que saudades eu sinto destes sabores! Dos sabores… do cheiro, do clima tropical, da chuva quente, de sentir a terra vermelha nas solas dos pés, do chilrear dos pássaros, dos gritos dos macacos, do roncar do javali e da onça (gato do tamanho de um cão grande parecido com um leopardo e muito perigoso), saudades de ouvir e ver as quedas de água (cachoeiras) do rio, onde se formava um arco – íris sobre as partículas de água que se projectavam no ar em forma de nevoeiro. Saudades do nascer e por do Sol. Saudades, mas muitas saudades, dos meus colegas e amigos a quem ensinei a ler e a escrever.
Ali não havia pressa para nada. Não precisávamos de relógio. Comia-se quando se tinha vontade.
Dançava-se Kizomba nas clareiras, em frente das casas, por baixo das copas de grandes árvores.
Nos fins-de-semana à noite havia farra, kizomba, ao som de instrumentos, berimbau, batuque, réco-réco, construídos pelos próprios músicos. Até latas serviam para criar sons e dançar toda a noite. Mas, a maior parte das vezes, era eu que com um gira-discos, tocado a pilhas e que tinha duas colunas, passava musica da Rebita. Assim ficavam todos abanando o matáco nessa grande farra que se prolongava pela noite dentro na minha sanzala (Libata).
São tantas as saudades que tenho dessas grandes farras na minha idade dos 15 aos 22 anos, onde o ambiente era de pura felicidade e todos iguais.
Não havia preconceitos e dançavam eroticamente, numa grande clareira onde a luz era dada por uma grande fogueira. Aquele era o verdadeiro mundo criado por Deus. Todo aquele povo era um povo humilde e nos sentia-mos irmãos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cubata, a musica que ainda hoje canto


A CUBATA

Cuidado com essa brincadeira
Se você partir a cubata,
Mulata vai ficar zangada
Se você partir a cubata.

Aquela cubata toda feita de lata
Foi a Mulata, foi quem fez,
Quando chegar o Carnaval
Ela vai tocar batuque na cubata de lata.


Mulata, vai ficar zangada
Vai ficar zangada se partir a cubata, vai...
Quando chegar o carnaval
Ela vai tocar batuque na cubata e lata, sim...

Autor: Angolano desconhecido
Nota: esta é a letra de uma das mais belas músicas angolanas dos anos 60

terça-feira, 30 de março de 2010

A NOSSA LIBERDADE NA SELVA


Durante os catorze anos que ali permaneci, conheci e senti a maior das maiores liberdades. Nós éramos livres como todos os seres vivos da floresta ou da savana. Quando cheguei a Portugal a liberdade acabou.
Naquele lugar, ninguém precisava de se preocupar com impostos, com a porcaria do relógio, com o trânsito, com a procura de dinheiro, com os ladrões ou com os assassinos! Não! O relógio era o Sol e os dias eram maiores, havia tempo para tudo.
As leis eram ditadas pelo “Soba”, «Chefe dos aldeões», que eram formadas em sintonia com a Natureza da selva.
Vivi no paraíso da pura liberdade, onde reinava o humanismo, a humildade, a benevolência e a compreensão.
Liberdade só a conheci enquanto vivi naquelas savanas e selvas Angolanas.
Éramos livres e formávamos uma corrente, de elos fortes, em que todos juntos cantávamos várias canções.
Só a guerra quebrou estes elos e nos separou, quem sabe, para sempre. Deles nada sei! Não sei se faleceram, se estão no mesmo sítio, se já são avós ou, se também fugiram. A melhor coisa que me poderia acontecer na vida, seria voltar aquele lugar, ver tudo e abraçar todos os que me viram crescer e que sabiam que eu era branco por fora mas negro por dentro.

Com muito carinho a todas as mães de Angola.


MÃE NEGRA

As mulheres de toda Angola
No dorso levam seus filhos,
À cabeça seguram vasilhas
Ou vão sachando os seus milhos.

Por entre a floresta
Mãe negra procura lenha,
Vários frutos trás com ela
E na boca sua “Macanha”.

Com pequeno sacho mexe a terra
E a mandioca vai plantando,
Depois volta para casa
E numa fogueira vai cozinhando.

Faz calúlú com quiabos
Ou “muamba” de Galinha,
Com pirão de mandioca
Ou de milho, fina farinha.

Não vive com complexos
É uma mulher especial,
Os peitos e as coxas ao léu
Tudo nela é natural.

Mulher de etnia Kwanhamas. Sul de Angola. Esta é a mais antiga etnia de toda a África, onde a maioria vivem completamente nus. A riqueza de cada família é notada pela quantidade de pulseiras que vão colocando nos pés.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Quilenda - Amboim -Cuanza Sul




Quilenda ou Kilenda é uma vila e município de Angola, na província de Cuanza Sul.
Tem 1 604 km² e cerca de 79 mil habitantes. É limitado a Norte pelo município da Quiçama, a Este pelos municípios de Quibala e Ebo, a Sul pelo município do Amboim, e a Oeste pelo município de Porto Amboim. É constituído pelas comunas de Quilenda e Quirimbo.
O município foi criado em 1965.

Nos anos 60, do Século passado, o meu tio Crlos, irmão do meu pai tinha ali uma Chitaca (Fazenda) e no centro uma pequena mercearia. Eu adorava ficar por lá, quando era possivel, pois tinha o filho mais novo que andava ali na escola e de tarde ia-mos para a chitaca ver as máquinas, com grandes correias, que ligadas a um tractor fazia rolar uma maquinaria dentro do armazem a pilar o café e separar o grão. A Quilenda é um dos locais do Amboim que me deixa saudades, assim como todo o Amboim.
Os 43 quilómetros da estrada entre a cidade da Gabela e a sede municipal da Quilenda, na província do Kwanza-Sul, estão a receber obras de reabilitação, no quadro de um programa local de melhoria das vias inter-municipais.
A obra está orçada em um milhão de dólares e contempla trabalhos de desmatação, terraplenagem e alargamento de bermas.
O governador provincial do Kwanza-Sul, Serafim do Prado, disse que a reabilitação do troço vai contribuir para o aumento de investimentos e desenvolvimento socioeconómico e produtivo da região.
Serafim do Prado acrescentou que a recuperação da via vai permitir que muitos investimentos possam ser executados no município, tendo em conta o seu potencial agrícola, turístico e madeireiro.
“É preciso que o município da Quilenda não se dissocie dos demais, por isso a reabilitação do troço é urgente”, frisou Serafim do Prado.
O governador anunciou a reabilitação do troço Cachoeiras/Conda, numa extensão de cerca de 20 quilómetros.
Para a administradora municipal da Quilenda, Maria Monteiro, a empreitada vai permitir o escoamento dos produtos do campo para a cidade, visto que as viaturas circularão com maior segurança.
"Com a estrada em bom estado teremos uma maior quantidade de investimentos no município", disse a administradora.
O município da Quilenda está localizado a 120 quilómetros a norte da cidade do Sumbe (capital da província) e possui uma população estimada em 50 mil habitantes, maioritariamente camponeses. Como vemos, e pelas fotos que tenho recebido de amigos que por lá circulam, o Amboim está crescer a bom ritimo. Que bom que assim seija, o povo merece.

Quando cheguei a Angola













Gabela, cidade maravilhosa nos anos 60

Ao chegar a Luanda estava, á nossa espera, o meu pai que o já não via á 4 anos. Eu, a minha mãe e uma das minhas irmãs, seguimos na cabine de um camião, uma velha Scania, que fazia transportes de mercadorias entre a cidade da Gabéla e Luanda. O meu pai seguiu com as outras irmãs, num carro ligeiro. Passámos uma tarde e uma noite, sempre a andar, por estrada de terra batida, entre a selva e savanas, numa distância de quatrocentos quilómetros.
Quando tínhamos percorrido cerca de cento e cinquenta quilómetros, na zona do Dondo, o choufer, parou o camião na berma da estrada, por entre a floresta densa, para verificar a carga, e logo percebeu que duas malas que vinham em cima da carga tinham desaparecido. Deixou-nos, ali naquele deserto de floresta africana, acompanhados por dois ajudantes de raça negra. Apanhou boleia e seguiu para Luanda à procura das malas.
Nesse momento, tememos pela nossa vida, sentimo-nos entre a vida e a morte. Nunca tínhamos visto nem contactado com negros, e logo no primeiro dia em que pisamos solo angolano, fomos abandonados dentro da selva, de noite e junto de homens da raça daqueles que o meu pai meses antes, quando escreveu à minha mãe contava, e ouvíamos na rádio dizer que “se revoltaram e esquartejavam todos os brancos”.
Nós tremíamos de medo, e nem sequer sabíamos que aquele local, (do Dondo), estava inserido na zona dos ataques do UPA.
Já noite escura, vimos dentro da floresta, uns pirilampos, mas nós, que estávamos no início de 1962, e que tínhamos ouvido falar dos ataques de Fevereiro de 1961,que continuavam em grande escala, feitos pelos revoltosos no Norte de Angola contra todos os fazendeiros e trabalhadores dessas fazendas, temíamos que aquelas luzes não fossem de pirilampos mas sim dos revoltosos.
Os terroristas do UPA (União Popular de Angola) liderada pelo Lombumba, esquartejavam todos à catana ou com uma moca na cabeça e as crianças eram atiradas contra uma parede.
Era o terror desde o Distrito de Luanda até ao Cuanza Norte.
Muita gente, ali, foi chacinada.
Quem não aderisse ao UPA só tinha duas hipóteses: morrer ou fugir para Luanda e deixar tudo para trás.
A UPA era um movimento Macongo Ligado ao Congo. As populações eram obrigadas a ser evacuadas do Norte para Luanda, em aviões. Os negros dividiam-se entre a fidelidade aos colonos e os guerrilheiros. De início, durante essa evacuação, deu-se a vez às mulheres e crianças, todavia centenas tinham já sucumbido. Os maridos e pais dos que partiam ainda ficavam, juntamente com negros afectos ao patrão ou os Bailundos que
eram trabalhadores e afectos aos brancos, que eram de uma etnia rival aos que compunham a UPA.
Mas, tal como eu dizia, ao vermos os pirilampos tremíamos de medo daquelas aparições e temíamos que fosse algo pior.
Durante o tempo que ali permanecemos, vimos passar, atravessando a estrada, vários tipos de animais da selva africana.
Quatro horas mais tarde, o choufer apareceu e lá seguimos viagem.
Passado algum tempo, finalmente chegámos à cidade da Gabéla.
Quando chegámos à casa onde vivia o meu pai, colocámos lá as nossas coisas e depois ele levou-nos a uma casa feita de pau e coberta com ramagem de palmeira,

e qual não foi a nossa grande surpresa e admiração, quando ao olharmos para o tecto dessa barraca vimos dezenas de grandes cachos de bananas maduras ali penduradas.
Foi comer até fartar!
Lá ficamos a viver, numa fazenda de café, entre grandes árvores centenárias, entre os morros do Amboim, Cuanza Sul, perto das belas cachoeiras (quedas de água) onde o ar e as águas eram puras e os únicos barulhos que se ouviam eram os cantares dos belos pássaros que nidificavam por entre a ramagem das palmeiras, dos banzes, bananeiras, taculas, mulembas e cafeeiros.
Aquela era uma zona de muito cacimbo (nevoeiro). Nalgumas manhãs, ele era tão denso que apenas se conseguia vislumbrar o que quer que fosse a uma distância de vinte metros.
Só por volta do meio-dia, quando o Sol rompia víamos aquelas árvores repletas de pombos verdes. Eram tantos que por vezes havia árvores que continham mais pombos do que folhas. Estes viajavam em tão grande velocidade que perante o cacimbo não tinham tempo de parar antes de embaterem contra a nossa casa, que com a sua parede branquinha se confundia com o nevoeiro e acabavam por morrer.
De vez em quando, víamos passar por entre a selva, com plantações de café por baixo de arvoredo de grande porte, um comboio movido a lenha que fazia o trajecto de Porto Amboim à cidade da Gabéla, transportando mercadorias e pessoal. Embora fosse muito lento, este dava uma imagem bonita por entre a selva da montanha, conhecida como “Os morros do Amboim”.
Ali, na fazenda “Quitona” dependência da sede do “Congulo”, estávamos no mato, isolados de toda a civilização, não havia sequer uma escola por perto.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cubal





O Cubal é uma vila e um município da província de Benguela, em Angola.
Situa-se a 150 km da cidade de Benguela e a 200 km da cidade do Huambo, antiga Nova Lisboa. Tem 4 794 km² e cerca de 252 mil habitantes. Limita a Norte com o município do Bocoio, a Este com o município da Ganda, a Sul com o município de Chongoroi e a Oeste com o município de Caimbambo.
É banhado por um rio que partilha o seu nome, o rio Cubal. À sua volta, existem numerosos campos de cultivo do sisal, que conferem à sua terra um aroma muito particular. Desempenharam um papel importante na economia da região durante o século XX, fornecendo grandes quantidades dessa matéria-prima para exportação.
O Caminho de Ferro de Benguela chegou ao Cubal em 1908. Em 1974, foi concluída a construção de uma nova variante ligando o Cubal à cidade do Lobito, diminuindo a distância entre as duas cidades de 197 km para 153 km. Após muitos anos de interrupção de actividade, esta variante foi reinaugurada em 2004, circulando nela actualmente três comboios por semana.
Conheci esta vila nos anos 70. Para atravessar o rio era uma ponte em madeira. A estrada era rodeada por muita verdura. Hoje, tenho um amigo, em Benguela, o Guy Rodrigues que vai até lá inserido num projecto das ONG’s. Ele, é que me alimenta a alma com informações daquela terra querida.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Gabela (Fotos eviadas por Micoulena em 08/03/2010)








Gabela é uma cidade angolana, sede do município de Amboim, na província do Cuanza-Sul. Foi nos até aos anos 70, uma das mais prósperas terras angolanas.
O café aí produzido chegou a ter títulos do melhor café do mundo.
Hoje foi engolida pela selva. Digna de visita, consequência das suas belas paisagens, entre as quais se salientam as quedas de água, no rio Cuvo, quedas da Binga.

Nesta mesma região encontra-se a Empresa C.A.D.A. Companhia Angolana de Agricultura, grande produtora de café. Sua sede é uma pequena vila chamada Boa Entrada. E as fazendas de Mário Cunha (Congulo, Nova Ereira, Quipungo, etc.). O caminho de ferro do Amboim (C.F.A.),comboio fazia o transporte do café, outras mercadorias e passageiros da cidade da Gabela até Porto Amboim. Na época era de grande importância para a região. Note-se um detalhe interessante, o desnível geografico da região, de 1.000 metros aproximadamente, para o nível do mar. Boa Entrada, vulgo C.A.D.A., actualmente vila fantasma, era a menina dos olhos do Amboim-Gabela. Com as suas vivendas construídas à moda californiana, os seus bairros bem ordenados urbanisticamente: Bairro Residencial para os quadros superiores da empresa; bairro do Galinheiro, do Cassange, do Hospital e da "Sanzala" para os operários... Um clube C.A.D.A. no seio do G.R.D. da Boa Entrada, piscina, cinés, biblioteca, campo de futebol, tiro aos pombos, barragem... Enfim, Boa Entrada era aquele paraíso, à 7 Kms da Gabela, onde se podia viver e morrer sem necessidade de ir à cata de novos céus! Não é por acaso que o Poeta Agostinho Neto lá foi... talvez para aflorar com a sua poderosa pena de escritor os céus ali tão pertinhos! A uma altitude de 1000 mts com relação à Sumbe (litoral e capital da província.) Gabela sem Boa Entrada - C.A.D.A. seria uma cidade sem luz!
Algumas fazendas agrícolas, verdadeiras povoações, são, hoje, motivo de turismo, com o espectáculo deslumbrante do seu café em flor. Bem me lembra delas... a C.A.D.A, Nova Ereira, Congulo, Quipungo, Boa Entrada, CAOP, etc. etc. As localidades; Quilenda, Lundo, Dala-Cachibo, Pombuíge,etc. etc. Na cidade da Gabela havia a Aricanga, Sétima, Zunzua, Catandala, Kipindo, Waku-Kungo, Vista Alegre, Cateco, Cassussua, Conda, Cumbira, Caculo, Bela Vista, Sossegado, Hengue, Ébo etc. Foi aqui que cresci, nas fazendas e sanzalas do Amboim. Ai que saudades.........

PASSEIO DE FÉRIAS



Um dia fui passear
Numa nave espacial,
Para umas férias diferentes
Não sabia onde ficar.

No local mesmo ideal
Foi lá que a nave parou,
Maravilha!... desci logo
Meu coração interrogou.

Que terra linda era aquela
Depressa fiquei sabendo,
Que era Angola afinal
Que um dia me viu crescendo.

Amigos, muitos encontrei
Entre, aquela gente Angolana,
Com eles fiz piqueniques
Onde havia muita banana.

E na hora da partida
Uma lágrima limpei,
O meu lencinho acenei
E bastante eu chorei.

Para onde vai agora?
Na nave me perguntaram,
Leve-me até à Gabéla
Onde tanto me amaram.

Decidi ficar por lá
Nas lindas terras do Amboim,
Todos quando me lá viram
Correram em direcção a mim.

Na hora de seguir viagem
Segui minha intuição,
Mandei parar a nave
No meio daquele sertão.

Terra bela naquele deserto
Com seu povo tão gentil,
Que bela recepção
Estava no mês de Abril.

Quiseram saber de onde vinha
De Portugal, respondi eu,
E ficaram encantados
Por verem quem com eles viveu.

Tudo estava como deixei
Tudo mesmo original,
Fui recebido pelo o povo
Com um abraço fraternal.

Com meus olhos chorando
E com um sorriso encantador,
Mandei chamar aquela negra
Por quem senti muito amor.

Tinha casado e já com filhos
Fiquei muito amargurado,
Virei-me p’ra trás chorando
Com o coração despedaçado.

Depois ela me disse
Que o marido morreu na guerra,
Para eu não me ir embora
E ficar ali com ela.

Pedi autorização ao Soba
Para na aldeia me acolher,
Houve festa de grande pompa
Só parou com o dia a romper.

ESTOU VIVO GRAÇAS AO SAGUE DE UM HOMEM PRETO


Não posso também deixar de mencionar, neste meu blog, que devo a vida a um negro que não conheci:
Certo dia, quando eu tinha 18 anos, inesperadamente senti os meus pulmões a encherem-se de um líquido. Eu, já com falta de ar, tossi e à medida que eu tossia, saía constantemente sangue em grande quantidade, até que desmaiei e fui transportado para o Hospital de Gabéla que distava cinquenta quilómetros daquele local.
Por coincidência ou ironia do destino, quando dei entrada no Hospital, o médico que fazia ali trabalho era o mesmo da tropa. Como naquele tempo não havia sangue empacotado para transfusão, o médico tratou logo de ligar para o quartel e ver se estava lá algum militar com o sangue compatível com o meu. Por acaso, e talvez por força da natureza, nesse dia tinha ficado de castigo no quartel um militar de raça negra. Esse militar tinha o mesmo tipo de sangue que eu: ORh +. Tiraram-lhe duas seringas de sangue e eu fui salvo.
Como vêem, a raça humana não tem cor!
Mas notei, três meses depois, quando saí do Hospital, que algo havia mudado.
É que antes deste acontecimento eu detestava comer tomate, mas a partir dessa altura passei a adorar salada de tomate e quanto mais maduro for o tomate, melhor.
Muita gente dizia: - Quem beber água do Bengo não vai conseguir esquecer e vai sempre sentir saudades de Angola.
Mas eu não fiquei apegado a Angola somente pela água do Bengo, também foi pelo sangue que me fez retornar à vida!
Durante os três meses que permaneci naquele hospital, a minha mãe esteve sempre presente, do meu lado, noite e dia. Se tivesse de morrer, morreria ao lado da minha mãe. “Obrigado mãe!”.
No primeiro mês não me lembro de nada, estive em estado de coma, mas a minha mãe contou, que eu me revoltava com todos, incluindo ela, dizendo-lhes inclusivamente palavrões. Depois de ficar consciente, senti-me a relembrar algo que se passara durante esse mês. Foi como se estivesse sonhando, durante esse tempo, com lugares e coisas que vivi, mas que não eram reais. Passei por lugares onde só mesmo no imaginário da ficção é possível ir. Eram lugares dentro da savana, à beira rio, com variedades de pássaros e animais e belas árvores. Autênticos jardins do Éden, onde brinquei com animais ferozes e tive um lindo romance com uma bonita donzela.
Depois de todo este sofrimento e ao cabo de algum tempo, acabei por melhorar e sair do Hospital.
Assim, retomei a minha vida no meu kimbo, junto dos meus colegas e amigos, dos quais já sentia saudades

A FORMIGA SALALÉ (Térmitas)


Nas savanas, em Angola, havia várias espécies de formigas, das quais vou destacar uma:
A formiga que depois de nascer “criava” asas para as utilizar somente em dez segundos. Era conhecida por “Salalé”. Esta formiga percorria a savana na busca de folhas e derivados, para o seu sustento.
Mas abria na terra autênticas “cidades” que chegavam a atingir uma profundidade de três metros e uma largura de metro e pouco.
A terra era colocada fora por cima da mesma “cidade”, deixando-lhes orifícios por onde entravam. Esse amontoado poderiam atingir mais de dois metros de altura, e formavam-se, nesses locais, centenas deles, de tal forma que, poderíamos compará-los com uma cidade erguida pelo homem, constituída por prédios de trezentos e tal metros de altura.
Lá no fundo, no buraco, faziam corredores em forma de espiral que podiam atingir um percurso de um quilómetro, deixando, de vinte em vinte centímetros um buraco que daria para salas: “galerias”, onde depositavam os alimentos para entrarem em decomposição.
Numa dessas galerias residia uma formiga que era a rainha-mãe. Não se podia mover porque tinha uma grande barriga repleta de ovos.
Só ela é que punha ovos e todos os dias, as outras formigas, tinham que transportar esses ovos e colocá-los nas galerias junto do alimento que, em decomposição já tinha fungo e estava destinado ao aquecimento dos mesmos e a alimentar os recém nascidos.
Após as primeiras chuvas saíam aos milhões e logo depois de terem sido projectadas no ar formavam uma nuvem e 10 segundos depois perdiam as asas e caiam para dias depois voltarem a ser o que são: as que trabalharam para a sua existência.
No entanto, dos milhões, poucas tinham essa sorte, pois ao saírem do fundo da terra, de onde foram geradas, muita passarada sobrevoava aquele lugar e comia-as.
Havia ainda outro contra para aquela formiga: os meus amigos negros, levavam com eles recipientes com tampa e quando as viam sair pelos orifícios do amontoado, apanhavam-nas e/ou metiam-nas aos punhados na boca e comiam-nas, ou levavam esse, recipiente, cheio para casa e fritavam-nas com óleo de palma, servindo assim de conduto para molhar o pirão.
Para além deste, que era considerado, por eles, um dos melhores petiscos, havia outros, como por exemplo, as gordas e grandes larvas que se desenvolviam nos troncos de árvores apodrecidas e/ou por baixo do amontoado de folhas em decomposição, que serviam de alimento a muitos germes da floresta. Estas larvas tinham, mais ou menos, o tamanho de um amendoim com casca e eram brancas. Não as comiam em cru. Fritavam-nas ou assavam-nas, enfiavam-nas num espeto tal como se fosse uma espetada. Eram os seus petiscos, de grande valor nutritivo.

OS PASSAROS


Nas árvores e caniços das bordas dos rios e ribeiros, os pássaros construíam milhares de ninhos. Havia, mesmo, árvores que chegavam a ter mais ninhos do que folhas. Esses ninhos eram construídos por artesãos que o ser humano não tinha capacidade de entender. Como é que um pássaro consegue entrançar tão bem aquela palha (capim)?
Tinham a forma de uma cabaça, ou, de um balão. No topo deixavam-lhe um buraco e era-lhe feito um tubo, com cerca de trinta centímetros, curvo, virado para baixo. Toda a construção era feita de palha (capim) e no seu interior, onde punham os ovos, era colocado algodão ou um material idêntico que era recolhido de uma outra árvore ou da Palmeira.
Eram milhares de filhotes que com os pais produziam sons ao estilo da fauna Africana.
Havia centenas de espécies de pássaros, uns construíam os ninhos nesses ditos arbustos, outros faziam-nos nas Palmeiras, tudo dependia da espécie de pássaro. Havia ainda outros que abriam buracos nos troncos das árvores e lá colocavam os seus ninhos.

PARA TRAZ FICARAM DUAS PAIXÕES


A minha grande e primeira paixão foi por Angola pela qual, ainda hoje continuo apaixonado. A segunda paixão foi por uma miúda de 19 anos, negra, fula, muito bonita que se chamava Conceição e residia perto da nossa casa, era muito limpa, asseada, vestia um quimono e uma tanga embrulhada à sua volta em forma de minissaia deixando expor toda a anca de pele lisa e brilhante, de seios bem erguidos que deixavam qualquer um de cabeça perdida. Quando se sentava junto de mim, desembrulhava a tanga e passava-a à minha volta fazendo com que eu ficasse com o meu nariz encostado entre os dois seios enquanto a minha mão, atrevidamente, percorria as coxas, barriga e seios. Tinha um perfume tão exótico que me levava a viajar entre as nuvens. Tinha-mos ambos cerca de 19 anos.
Como se pode ver, a coisa mais importante do mundo, que é o “amor”, não tem cor. Nós amávamo-nos.